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Cinema brasileiro domina prémios no IndieLisboa

BaronesaLembro Mais os Corvos são os vencedores, ex aequo, da 15ª edição do IndieLisboa, segundo a escolha do júri constituído pelos cineastas Claire Simon e Pedro Pinho e ainda pelo programador James Lattimer. Juntos acumularam o Prémio Cidade de Lisboa e o Prémio Especial do Júri. Já O Processo foi o preferido do público.

De referir ainda na competição internacional o Prémio Universidades para o desencantado filme chinês de quatro horas An Elephant Sitting Still, do malogrado cineasta Hu Bo, que se suicidou logo após a conclusão da rodagem.

O IndieLisboa encerra hoje, domingo, dia 6, com a antestreia de Raiva de Sérgio Tréfaut, adaptando Seara de Vento, de Manuel de Fonseca, contando com Isabel Ruth e Leonor Silveira.

Na secção nacional, o júri formado pela realizadora Fabianny Deschamps, a programadora Kim Yutani e o artista António Caldeira Pires premiou Our Madness, de João Viana, atribuindo o prémio de realização a André Gil Mata por A Árvore. Sim, um palmarés essencialmente falado em português.

A força do cinema brasileiro tomou conta da competição internacional, sobretudo na sua componente verité, ou cinema do real. De um lado temos Baronesa, a investida  documental e narrativa assinada por Juliana Antunes sobre a condição feminina e a população periférica numa favela de Belo Horizonte; de certa forma, um filme com pontos em comum na proposta de Lembro Mais os Corvos, em que o cineasta Gustavo Vinagre capta o monólogo da transexual Julia Katharine e a sua história insólita, carregada de ficções.

Numa vertente mais assumidamente documental, O Processo, de Maria Augusta Ramos, sobre os bastidores do impeachment movido contra Dilma Rousseff, e que foi exibido em estreia mundial no passado festival de Berlim, obteve a preferência do voto do público. Trata-se de um documento precioso sobre a movimentação da política brasileira, encarada quase como uma cativante tragédia shakespeareana.

Igualmente exibido em Berlim, Our Madness, de João Viana prolonga o seu cinema de herança africana, acabando por arrecadar o prémio das longas metragens nacionais, nessa história efabulada de uma mulher em busca da família em fuga pela guerra, mas não só da guerra do Ultramar, mas todas elas.

André Gil Mata foi outro premiado nacional cuja obra A Árvore foi igualmente estreada em Berlim. De novo, a filmar na Bósnia-Herezegovina, com uma deriva estilizada em longos planos sequência. Por fim, Gonçalo Robalo colheu o prémio de melhor curta, por Os Mortos, atravessada por histórias de defuntos que ganham vida.

De referir ainda que a curta Amor Avenidas Novas, de Duarte Coimbra, recebeu o prémio Novo Talento, dias antes da sua passagem pela Semana da Crítica em Cannes, e Russa, de João Salaviza e Ricardo Alves, recebeu o prémio católico Árvore da Vida. Por fim, o documentário Infância, Adolescência, Juventude, de Rúben Gonçalves, recebeu o prémio Novíssimos.

Os filmes vencedores da 15ª edição do Indie poderão ser vistos no cinema Ideal, de segunda a quarta feira.

 

Palmarés

Longas-metragens

Grande Prémio Cidade de Lisboa e Prémio Especial do Júri: ex-aequo Baronesa, de Juliana Antunes, e Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre

Melhor Longa Portuguesa: Our Madness, de João Viana

Melhor Realizador: André Gil Mata, por A Árvore

Prémio Silvestre: O Processo, de Maria Augusta Ramos

Prémio Indie Music: Matangi/Maya/M.I.A. de Steve Loveridge

Prémio Universidades: An Elephant Sitting Still, de Hu Bo

 

Curtas-metragens

Grande Prémio: Solar Walk, de Réka Bucsi

Prémio Silvestre: Braguino, de Clément Cogitore

Melhor Animação: Rabbit’s Blood, de Sarina Nihei

Melhor Documentário: La Bonne education, de Gu Yu

Melhor Ficção: Matria, de Álvaro Gago

Melhor Curta Portuguesa: Os Mortos, de Gonçalo Robalo

Prémio Novo Talento: Amor, Avenidas Novas, de Duarte Coimbra

Prémio Novíssimos: Infância, Adolescência, Juventude de Rúben Gonçalves

 

Prémio do Público: O Processo

Prémio do Público IndieJúnior: Professor Sapo, de Anna van der Heide

Prémio Amnistia Internacional: Waste N0.5 The Raft of the Medusa de Jan Ijäs

Prémio Árvore da Vida: Russa, de João Salaviza e Ricardo Alves Júnior

Prémio Escolas: Tremors, de Dawid Bodzak

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