Drømmer (Dreams (Sex Love)), o ligeiro drama romântico, do norueguês Dag Johan Haugerud, foi o vencedor do Urso de Ouro, o prémio mais importante do Festival de Berlim, ao passo que O Último Azul, de Gabriel Mascaro, recebeu o prémio do Júri. O chinês Huo Meng foi o Melhor Realizador.
Todd Hayes, o presidente do júri internacional, inscreveu Dreams, a terceira parte da trilogia Sex, Love, Deram, do norueguês Dag Johan Haugerud, no cartão de vencedor do Urso de Ouro da 75.ª edição do Festival de Berlim. O prémio está dado, mesmo que faça os sobrolhos a muitos jornalistas que acompanharam os 19 filmes a concurso nestes 10 dias de festival. A verdade é que esta narrativa pueril sobre o ‘primeiro amor’, estava longe das discussões da crítica internacional presente. Curiosamente, a primeira parte, Sex, foi sido exibida o ano passado na Berlinale, embora na secção Panorama. De referir que o filme recebeu ainda o prémio FIPRESCI, da crítica internacional.
Seguramente, um dos favoritos deste festival (por exemplo, pelos críticos que acompanharam o Cinema Sétima Arte), foi O Último Azul, de Gabriel Mascaro, recebendo o Grande Prémio do Júri (além do prémio ecuménico). Empolgante, a deriva, semi-distópica, de uma idosa (tremenda Denise Weinberg) que resiste ao aposentamento forçado e à entrada numa ‘colónia’ de idosos e embarca numa fascinante aventura pela floresta Amazónia. Já o desinteressante El Mensaje, do argentino Iván Fund, foi o novo Prémio do Júri.
No plano interpretativo (sem distinção de género), a principal distinção foi para a prestação fulgurante de Rose Byrne, em If I Had Legs I’d Kill You, de Mery Bronstein, levando aos limites o turbilhão psicológico e familiar que se vive no filme. Ao passo que a prestação secundária foi para Andrew Scott, no filme Blue Moon, do americano Richard Linklater, para alguns, o favorito à conquista do Urso de Ouro.
A premiação principal inclui ainda guião efervescente de Radu Jude, que inflama Kontinental ‘25, e o prémio de contribuição artística para o filme da francesa Lucile Hadzihalilovic, La Tour de Glace.

Berlinale em balanço
Em jeito de balanço, não de pode dizer com grande segurança que a 75.ª edição da Berlinale tenha sido memorável. Independentemente das decisões do júri da principal secção competitiva, certamente as mais relevantes, ficamos com a sensação que deixou algo a desejar. É essa a sensação que fica do conjunto dos filmes selecionados para o concurso ao Urso de Ouro, o prémio do cinema mais importante depois da Palma de Ouro, em Cannes, e o Leão de Ouro, em Veneza. Não que seja algo da responsabilidade da americana Tricia Tuttle, a nova diretora do festival, embora ela própria tenha uma carreia de programadora de festivais.
A verdade é que a qualidade média dos filmes desta edição esteve longe de impressionar – veja-se a lista de pontuação média do Cinema Sétima Arte, onde mais de metade dos filmes tiveram uma pontuação a baixo dos 3 valores. Sendo que os três filmes com pontuação de Urso de Ouro (recordemos: a produção chinesa “Living the Land”, o filme brasileiro “O Último Azul” e “If I Had Legs I’d Kill You”) foram todos premiados. A maior ironia é que “Dreams” ficou abaixo (pela nossa pool) de uma classificação positiva. Lá está, é o trabalho democrático a funcionar. E que tem de adequar as opiniões de todos.

A terminar, uma nota final, para reforçar que se esperava muito desta edição – sobretudo que Berlim pudesse dar uma mensagem politicamente cinematográfica ao mundo, em vésperas de eleições fulcrais. Infelizmente, os resultados não impressionam. Fiquemo-nos com a verve de Radu Jude (que deixou no cartaz com o seu rosto, à entrada da sala principal, no Berlinale Palatz, a mensagem muito direta: “FUCK PUTIN + TRUMP!” Até o justo documentário Timestamp, da ucraniana Katerina Gornostai (ela foi mãe há quatro dias), sobre a vida escolar nas cidades perto das zonas da frente, passou despercebido ao júri.
Para o ano há mais.
Palmarés Berlinale 75
Urso de Ouro – Melhor Filme
Dreams (Sex Love)
Urso de Prata – Grande Prémio do Júri
O Último Azul
Urso de Prata – Prémio do Júri
The Message
Urso de Prata – Melhor Realização
Living the Land
Urso de Prata – Melhor Atuação Principal
Rose Byrne, por If I Had Legs, I’d Kick You
Urso de Prata – Melhor Atuação Secundária
Andrew Scott, por Blue Moon
Urso de Prata – Melhor Argumento
Radu Jude, por Kontinental ’25
Urso de Prata – Melhor Contribuição Artística
The Ice Tower, de Lucile Hadzihalilovic