Com pouca inovação, está ainda longe do home run perfeito
A Sony traz-nos mais um ano de MLB The Show, onde entramos no mundo do basebol, descrito como “a língua que todos falamos” por Aaron Judge, capa do jogo. Produzido pela San Diego Studios e publicado pela Sony Interactive Entertainment, o jogo lançou no dia 12 de março de 2026.
Nota-se sempre uma conotação bem americana quando se fala de basebol, pois é um desporto verdadeiramente prestigiado no continente. Não só nos Estados Unidos, como sabemos, tanto que países como a República Dominicana, Venezuela ou qualquer outra terra latina têm bastante influência e talento no desporto. Essa paixão americana pelo basebol nota-se no vídeo de introdução do jogo, onde o basebol é descrito como “a língua que todos falamos”, elevando o desporto a um patamar muito mais alto do que apenas o esforço físico e a conquista de títulos. O basebol une pessoas mas, nem sempre foi inclusivo.
Um jogo niche
O jogo recria muito bem os acontecimentos reais de uma partida e campeonato, mas, se nunca viste ou jogaste basebol, o início pode ser bastante confuso, tal como qualquer jogo de desporto que desconheças. O timing é fundamental, sabendo que tudo acontece a velocidades muito altas, basta acertar um pouco mais tarde que falhamos a bola ou oferecemos a jogada à outra equipa. Isto no caso de estarmos na posição de um batedor porque sendo um pitcher (lançador), o foco será a pontaria, ao lançar a bola fora da zona de pitching, é marcada falta. Invariavelmente, no decorrer das horas de jogo, as regras vão se interiorizando e o jogo torna-se mais fluido e interessante.
Os 4 modos principais
São apresentadas ao jogador 4 opções principais para começar o seu caminho em direção ao Show: Road to the Show (ou Modo Carreira), Diamond Dynasty (Modo Online), Franchise (Modo Diretor de Equipa) e Storylines (Negro Leagues). Para além destes destaques também existem as clássicas partidas espontâneas de exibição e multiplayer.
Road to the Show
Este sempre foi o meu modo de jogo de eleição, no qual posso encarnar o atleta profissional que nunca consegui ser… Road to the Show é onde podes traçar o teu caminho até aos holofotes da maior liga de basebol do mundo. Desde partidas universitárias até às pequenas ligas para um dia chegar ao Hall of Fame da MLB, este modo representa o cenário da maioria dos jogadores profissionais na liga americana. Os fãs podem disfrutar de mecânicas especializadas de olheiros, o torneio completo da NCAA e o tão prestigiado draft. De acordo com o desenvolvimento das técnicas do utilizador, a sua posição no draft da MLB poderá subir ou descer. Já dentro da liga, é possível ter mais controlo sobre pedidos de troca ou alterar a sua função na equipa.
Diamond Dynasty
Diamond Dynasty é o vosso típico “ultimate team“, um modo online onde procuras juntar as cartas dos melhores jogadores da liga para criar uma super-equipa capaz de dizimar qualquer adversário. Imaginem só ter Aaron Judge e Paul Skenes na mesma equipa, exato, poder de elite nos dois lados. Neste jogo é introduzida uma nova raridade de cartas com o nome “Diamante Vermelho” e, como em quase todos os modos online, podes testar as tuas capacidades no modo Ranked. No entanto, MLB 26 contém mais modos online como Events, onde jogas com restrições específicas na tua equipa, Conquest, focado em conquistar território num mapa integrando uma componente estratégica, e entre outros. Diamond Dynasty é certamente recomendado para jogadores experientes.
Franchise
O Franchise é um patamar acima de um modo de treinador, onde assumes o papel de Diretor-Geral de uma equipa e cuidas de toda a logística da mesma. Desde trocas de jogadores, olheiros para decidir qual será a tua nova estrela, desenvolvimento individual de jogadores, gestão financeira e outras funções, aqui podes administrar todos os processos “por trás das cenas”. Este modo contém toda uma componente realista, integrando também a possibilidade de criar rumores.
Storylines
Como referi anteriormente, o basebol não foi sempre um desporto inclusivo. Desde os anos 20 até ao final da década de 1950, as Negro Leagues foram ligas de basebol nos EUA, compostas principalmente por jogadores afro-americanos e latino-americanos. A existência destas ligas deveu-se à segregação racial e ao racismo no basebol dos Estados Unidos no final do século XIX e na maior parte do século XX. Durante esse período, a MLB era considerada uma competição profissional para brancos. O modo Storylines faz a sua quarta aparição em jogos MLB The Show, onde procura contar a história de jogadores icónicos que fizeram parte das Negro Leagues. Nesta edição contamos com jogadores como Roy Campanella, John Henry “Pop” Lloyd, Mamie “Peanut” Johnson, George “Mule” Suttles, que são controláveis nos seus respetivos episódios. Este é um modo imersivo e também educacional, onde são explicadas várias figuras e conceitos fundamentais do início do desporto. Ao completar uma narrativa, receberás a carta desse jogador e poderás utilizá-la no modo Diamond Dynasty.
Mecânicas, visuais e problemas de cross-play
A verdade é que MLB The Show é um jogo lançado todos os anos, logo, a falta de inovação é notável. A funcionalidade destacada é sem dúvida o Bear Down Pitching, que te recompensa se lançares strikes consecutivos e acumulares strikeouts, guardando lançamentos de alta precisão para momentos sob pressão. Outra introdução digna de menção é o Smart Sim no modo Road to the Show, onde a simulação de um ou mais jogos é baseada na pontuação geral do jogador, para prevenir que a carreira do atleta não se despenhe. De resto, as restantes mecânicas são herdadas, o que não significa que o jogo não tenha uma sensação de realismo impressionante, mas as expectativas estão sempre lá.
Visualmente, o jogo não mudou quase nada. Os jogadores, estádios e animações são iguais aos dos títulos da PS4, as únicas melhorias visíveis estão nas físicas dos uniformes e na iluminação dos estádios. Muitos jogadores criticaram também a tecnologia de digitalização facial para a criação da personagem, afirmando que o sistema utilizado só pode ser da era da PS3.
Problemas relacionados ao cross-play também foram identificados, com vários utilizadores descontentes com o menu “pouco intuitivo”. Dentro do jogo foram destacados vários problemas com rubber banding, o que dificulta a leitura do pitch, por exemplo. Por fim, os comentários parecem bastante reutilizados em comparação às últimas edições.
Opinião final
Se já tiverem MLB The Show 25, já possuem a maior parte deste jogo. O lado positivo é a continuação das histórias das Negro Leagues, que introduzem novas narrativas todos os anos, no entanto, como referido, é mais educacional e cinematográfico do que propriamente focado na jogabilidade. O jogo carece de melhorias visuais e mecânicas e, sobretudo, um “novo sangue” ao modo Road to the Show, algo que torne a experiência ainda mais imersiva e única.
Nota Final: 6/10
