Ligeiras melhorias moldam um dos jogos de corridas mais desafiante
Há cerca de 3 semanas avistei o MotoGP™25 no catálogo de jogos da PS Plus Extra e decidi dar-lhe uma oportunidade. Devo dizer que, mesmo com anos de experiência em séries como Gran Turismo, Assetto Corsa, Formula 1, WRC e entre outros, MotoGP™ está certamente no pódio de franquias mais difíceis de dominar. Para quem passa horas a correr no F1 25 e, de repente, muda para o MotoGP™, a diferença é impressionante, notável e desafiante. Dito isto, platinei o MotoGP™25 em 26h, sendo que depois das primeiras 10/12h senti a qualidade geral a subir. No entanto, é importante referir, especialmente para os entusiastas e caçadores de troféus, que o jogo é facílimo de platinar e os troféus não costumam diversificar muito.
Mas por que tanta conversa sobre o jogo anterior? Pois bem, embora MotoGP™26 traga novidades, a nível técnico e não só, é um jogo anual, logo, a base é a mesma do ano passado e por isso, o espaço para inovação é limitado. Resumindo, os jogos são parecidos em quase todos os aspetos. Ainda assim, há pontos a destacar deste novo lançamento que melhoraram em relação a 2025.
MotoGP™26 foi desenvolvido e publicado pela Milestone S.r.l. e teve o seu lançamento no dia 29 de abril de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2.
Controla o piloto, não a mota
Se há vertente onde MotoGP™26 tenta marcar diferença, é aqui. Na primeira volta pode nem parecer, mas basta algum tempo em pista para perceber que o comportamento das motas foi afinado, não só ao nível da máquina, mas do próprio piloto. A forma como o peso é distribuído, como se entra na curva ou como se controla a saída deixou de ser apenas intuitiva e passou a exigir mais leitura. O resultado? Uma condução ligeiramente mais suave nas motas de topo (MotoGP), mas ao mesmo tempo mais exigente. Neste jogo não basta travar e inclinar, é preciso perceber quando o fazer, com que intensidade e, principalmente, até onde podes ir sem perder o controlo. E é aí que o jogo separa quem só quer acelerar de quem quer dominar a pista.
Mas houve pequenas imperfeições identificadas, daquelas que só se encontram passadas algumas horas. Ora, como eu platinei MotoGP™26 (ainda tenho os sumbidos das motas nos ouvidos), estão com sorte, horas não faltaram. Os indicadores de travagem continuam a ser um ponto fraco, com várias pistas a sugerir timings que simplesmente não fazem sentido (ex.: travagem antecipada antes do final da primeira reta em Chang e falhas em grande parte do Circuito de Jerez). No fundo, acabam por ensinar maus hábitos. O que podes fazer é ignorá-los completamente e aprender por tentativa e erro, ironicamente, é aí que o jogo começa a fazer mais sentido e vais melhorando a tua condução.
Arcade Vs Pro
Os jogos MotoGP™ não fazem grandes esforços para serem acessíveis. Mesmo com assistências ativas, há uma exigência constante que pode afastar quem chega pela primeira vez. Travagens tardias, acelerações demasiado cedo ou agressivas, linhas de corrida erradas são castigadas de imediato, sem margem para erro.
Para os que procuram algo mais leve, a experiência de jogo Arcade facilita a entrada, mas a verdadeira identidade e essência da corrida a duas rodas estão no modo Pro. É aí que se distingue um Marc Márquez do sofá de um jogador mediano: controlo total, zero ajudas e a necessidade de dominar cada detalhe, senão, olá asfalto! E não é só jogar melhor, é reaprender a fazê-lo. E, honestamente, aí o jogo ganha valor. Porque, apesar da frustração inicial (muita mesmo…), há uma recompensa na evolução. A experiência transforma-se e passa de difícil a satisfatória. Mesmo assim, da minha parte, recomendo o modo Arcade… se quiserem manter o vosso comando intacto.
Modo Carreira mais “imersivo” (com a perda de alguma simplicidade)
Uma das coisas de que gostei mais no MotoGP™25 foi a simplicidade do menu do modo carreira e como era fácil perceber onde clicar. Um dos troféus requer que nos tornemos líderes do fabricante (Ducati, Yamaha, Honda, etc.) e, para tal, temos de pontuar mais que o atual líder durante 3/4 corridas. Para obter esse desafio, temos de fazer essa escolha, quando a mesma é-nos proposta na conferência de imprensa (normalmente de 4 em 4 corridas). Foi fácil de chegar lá no título de 2025, pois estava tudo explícito no momento da decisão, mas no MotoGP™26 foi ligeiramente mais complexo, embora a lógica seja a mesma. O ponto-chave é: ao adicionar mais características ao Modo Carreira como as conferências de imprensa e as cartas dos pilotos e pistas, perdeu-se alguma facilidade no menu.
Por falar em cartas de pilotos, estas são uma adição interessante, no entanto, são meramente colecionáveis, não têm uma função do tipo Ultimate Team como no FIFA. Ainda assim, o design é bastante engraçado e dá um certo prazer de coletá-las a todas. 22 destas cartas são versões dos pilotos da categoria-mãe, desenhadas pelo artista japonês Ranka Fujiwara, que já colaborou com a MotoGP™ no passado.
Despedida do Falcão… E viva o Brasil!
Para além do Modo Carreira, MotoGP™26 continua a apostar na fidelidade ao campeonato real, com todas as equipas, pilotos e pistas oficiais atualizadas. Este jogo é o primeiro em 8 anos sem a presença de Miguel Oliveira, após a sua mudança para as Superbikes, com Toprak Razgatlıoğlu e Diogo Moreira a entrar para o lugar do português e de Somkiat Chantra. Nesta edição, o Grande Prémio do Brasil, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, substitui o Grande Prémio da Argentina, no Autódromo Termas de Río Hondo. Os novos elementos de progressão dinâmica dão algum peso extra à temporada, fazendo com que a performance em pista tenha impacto direto na forma como a grelha vai se moldando ao longo das corridas. De qualquer maneira, estas novas adições acabam por ser mais incrementais do que propriamente transformadoras.
A inteligência artificial mantém-se consistente em relação ao que a série já nos habituou, com corridas competitivas e uma opção de dificuldade adaptável, onde a IA, ao longo da temporada, vai se ajustando à qualidade do jogador. Não é perfeita, mas está lá para ti quando queres uma batalha acirrada e algo realista. No que toca a categorias adicionais, temos a introdução das production bikes no modo Race Off, onde podemos correr, tanto no Modo Carreira como numa corrida rápida, com as motas superdesportivas que vemos nas estradas: Honda CBR 1000RR-R Fireblade, Ducati Panigale V4 S, Yamaha YZF R1 GYTR, Aprilia RSV4 1100 e KTM 990 RC R. Foi adicionada também uma nova localização a este modo: Canterbury Park.
Do ponto de vista técnico, o jogo mantém-se sólido, sem grandes saltos visuais face ao anterior, mas sempre com uma apresentação limpa e funcional. O som continua a cumprir a sua função, especialmente no rugido das motas e no ambiente de corrida, embora às vezes ouça motores adversários no meu ouvido que parecem estar perto, mas estão a mais de 5s atrás.
Opinião Final
Se és amante de motas, MotoGP™26 é, obviamente, para ti. Se não és, não é um jogo que te ganha nos primeiros minutos, pelo contrário, castiga-te e faz-te questionar muitas vezes por que é que decidiste pegar nele. Mas há um ponto, e se jogares, vais senti-lo, em que tudo começa a encaixar, tal como em qualquer simulador de corridas. A travagem torna-se confiante, as curvas transformam-se em movimentos suaves e a mota já não parece um mono de 150 kg. Os teus dois polegares deixam de controlar os joysticks e passam a manusear o guiador de uma mota vencedora. Há decisões estranhas, nomeadamente em menus menos intuitivos, mas esta edição possui uma boa quantidade de conteúdo novo, com a atualização de pilotos e calendário juntamente com um Modo Carreira munido de inovações. MotoGP™26 não é definido pelas novidades, mas sim pelo que te obriga a aprender.
