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‘Maria Vitória’, de Mário Patrocínio, conquista o público no Festival do Rio

Um dos grandes filmes portugueses do ano, a primeira longa-metragem de ficção do realizador venceu o Prémio do Público da Mostra Expectativa. Mariana Cardoso é a revelação de um filme vibrante, contemporâneo e sobre a possibilidade de renascer das cinzas.

Maria Vitória, de Mário Patrocínio, venceu o Prémio do Público de Melhor Filme na secção Mostra Expectativa do Festival do Rio, um dos mais importantes festivais brasileiros, dirigido por Ilda Santiago, e cuja edição deste ano terminou no domingo passado. Uma distinção que assenta particularmente bem a um dos grandes filmes portugueses de 2026 — talvez mesmo o melhor.

A primeira longa-metragem de ficção do realizador consegue algo que tantas vezes falta ao nosso cinema: ser vibrante, falar do presente e encontrar uma forma cinematográfica consistente. Rodado na região da Serra da Estrela, o filme acompanha Maria (Mariana Cardoso), uma adolescente que sonha tornar-se futebolista profissional, mas vive sob a autoridade do pai, Nacho (Miguel Borges), que deposita nela as suas próprias expectativas. Numa família e numa comunidade marcadas pela perda, Maria terá de descobrir quem é e o que poderá vir a ser.

Mário Patrocínio e Mariana Cardoso – Abertura do Festival do Rio – Cine Oedon

Mariana Cardoso é a grande revelação do filme. Como escrevemos aquando da estreia portuguesa, a personagem encontra-se «encalhada entre o foco, a autoridade do pai, e o espaço em que vive», num limbo de cinzas que ainda não arrefeceram. À sua volta, Mário Patrocínio constrói um universo que escapa aos clichés, cruzando o drama familiar com a música, a dança e uma energia inesperada. O resultado é um filme que não tem medo de misturar linguagens nem de deixar que as coisas aconteçam sem uma explicação imediata.

A história tem também uma dimensão pessoal. A morte da mãe do realizador, em 2018, foi um dos pontos de partida para um argumento que se transformou a partir das visitas à Serra da Estrela e do contacto com as consequências dos incêndios. Patrocínio procurou «das histórias reais que me pudessem inspirar e que depois pudesse de alguma forma transportá-las para o universo da ficção», fazendo da perda íntima uma reflexão sobre as feridas coletivas e a possibilidade de recomeçar.

Depois da estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Tóquio, Maria Vitória foi escolhido para representar Portugal na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano dos Prémios Goya de 2027.

De referir que Maria Vitória será exibido a 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, no Cinema Charlot, em Setúbal, no âmbito da Mostra Somos Humanos. A programação da Mostra em Almada incluirá também Complexo — Universo Paralelo (2010), o documentário de Mário Patrocínio sobre o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

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