Quarta-feira, Abril 17, 2024
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Berlinale: produção e co-produção portuguesa em força

O cinema português em Berlim não está só representado pelo díptico de João Canijo, Mal Viver e Viver Mal, ambos da Midas Filmes, — na competição oficial e na do Encounters — e Cidade Rabat, de Susana Nobre, numa produção da Terratreme, integrado no Fórum Expanded. Na verdade, a embaixada de produção nacional inclui mesmo uma dúzia de produções e, sobretudo, co-produções, divididas entre longas e curtas metragens, ficção e documentário, ao longo das diferentes secções da Berlinale, bem como no mercado e no Berlinale Talents. Aliás, estendendo-se até à presença no mercado EFM, como o projecto de Catarina Mourão, Hera, cuja rodagem irá decorrer o ano que vem, numa produção de O Som e a Fúria, ou a série Cuba Libre, de Henrique Oliveira, com produção da Hop! Films.

Mas vamos aos pontos mais fortes. João Canijo estabelece uma complexa performance interpretativa, muito bem defendida por uma completa ideia de cinema reforçada pelo excelente naipe de actrizes com quem costuma trabalhar, oferecendo dois pontos de vista da mesma realidade. Se é verdade que Mal Viver e Viver Mal — o primeiro com estreia mundial a no dia 22 e o segundo, no dia 23 — podem sugerir eventuais aproximações a Fumar, Não Fumar, de Alain Resnais, exibido em Berlim há precisamente 30 anos, na altura em que venceu um Urso de Prata, a verdade é que a demanda de Canijo prolonga o seu caminho pessoal, mesmo quando se liga de forma muito particular ao excelente Sangue do Meu Sangue (2011).

“Mal Viver” (2023), filme de João Canijo

Em Mal Viver abordam-se as relações destrutivas entre mãe e filhas que se estabelecem entre um grupo de mulheres gestoras e um hotel (Parque do Rio) em Ofir, concelho de Esposende, exploradas. Sobretudo entre Anabela Moreira, Rita Blanco, Madalena Almeida e Cleia Almeida; já em Viver Mal o foco está do lado dos poucos hóspedes, organizados em pequenos grupos, como os representados por Nuno Lopes e Filipa Areosa, Leonor Silveira, Rafael Moreia e Lia Carvalho, e ainda por Beatriz Batarda, Carolina Amaral e Leonor Vasconcelos. É neste gesto de campo-contra-campo que Canijo organiza uma observação de comportamentos onde se intuem as influências de Ingmar Begman e se assume a reinterpretação do teatro de August Strindberg (sobretudo em Viver Mal). Ambos em competição, em secções separadas, embora a manter fascinante um cordão umbilical entre si. Entre si e o cinema.

Susana Nobre regressa à Berlinale, dois anos depois de ali apresentar No Taxi do Jack, embora na versão que decorreu online devido à pandemia covid 19. Desta feita, com Cidade Rabat, cuja estreia mundial ocorre no próximo sábado, dia 18. Ao contrário do que tem sido o seu percurso, Nobre explora agora o território da ficção, mesmo que a partir de premissas de uma realidade que não lhe é estranha. E da qual permite um cinema muito seguro, pessoal, mas que encontra no outro um natural prolongamento. Em suma dois projectos robustos, com expectativas de poder alcançar o devido reconhecimento.

“Cidade Rabat”, filme de Susana Nobre

Portugal co-produz

As co-produções portuguesas estão bem patentes na Berlinale. Desde logo, em Last Things, de Deborah Stratman, ligando Portugal, à França e aos EUA, num filme que explora as relações entre a ciência e a avant garde. São também as fronteiras da nova tecnologia que envolve o projecto AI: African Intelligence, com associação portuguesa à produção senegalesa e belga. O filme dirigido por Manthia Diawara aborda rituais de possessão em pequenas aldeias no litoral do Senegal.

Alem da co-produção Tomorrow is a Long Time, de Jow Zhi Wei, numa produção conjunta entre Singapura, Taiwan, Françe a Portugal, na secção Berlinale Generation 14Plus, num tema que lida com violência e bullying, em que a fuga e a descoberta pessoal será encontrada no serviço militar. A Berlinale Talents — Project Lab — Doc Station alberga ainda quatro produções em que Portugal participa. São elas: I Look Like My Mother, de Amina Maher, em conjunto com a França, Alemanha, Suíça e Reino Unido, além de três co-produções entre Portugal e o Brasil – Liminal Spaces (Virtual Reality), de Lui Avallos, O Último Verão, de Fernanda Polacow e João Nunes Pinto e Mala da Noite, de Janaina Wagner.

Num âmbito paralelo do festival de Berlim, decorre no Festival Woche der Kritik (entre 15 e 23 de Fevereiro), um painel que integra a realizadora Leonor Noivo, com o filme Madrugada, de 2021, numa produção da Terratreme.

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