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Cannes: um festival dominado por autores em tempos de guerra

É (quase) sempre assim: a cada ano, qual será o realizador mais ou menos consagrado que não quererá ver o seu filme inscrito na famosa ‘sélection oficielle’ do Festival de Cannes? Este ano, não é diferente, com Pedro AlmodóvarAsghar FarhadiCristian MungiuIra SachsLásló NemesPaweł PawlikowskiAndrey ZvyagintsevHirokazu Kore-eda ou Ryusuke Hamaguchi dizem ‘presente’. Diferente mesmo é só o mundo a tentar (sobre)viver ‘ao estado a que isto chegou!’

Thierry Frémaux tem (uma vez mais) razões para sorrir: apesar de faltar ainda revelar alguns títulos, provavelmente, ainda não totalmente prontos, o anúncio dos ‘eleitos’ deste ano aí está. Desde logo, orgulhando-se da submissão de mais de 2500 filmes para o concurso à Palma de Ouro, também no que representou um acréscimo de qualidade e diversidade, com propostas de 141 países.

Sandra Huller e Hanns Zischler, em Fatherland, de Pavel Pawlikowski.

Muito se fala de Pedro Almodóvar que antecipa para a Primavera a tragicomédia Amarga Navidad, já com estreia em Espanha. E do país vizinho vem ainda El Ser Queridode Rodrigo Sorogoyen, com Javier Bardem, e La Bola Negra, de Javier Ambrossi e Javier Calvo. Nada mau. 

Na Seleção Oficial a concurso para a Palma de Ouro, estão ainda vários cineastas com trabalhos fora da sua nacionalidade – por exemplo, os casos do romeno Cristian Mungiu que se estreia em língua inglesa, com Fjordnum filme ambientado na Noruega; já o polaco Pavel Pawlikowski apresenta Fatherland, um filme sobre o escritor alemão Thomas Mann e a sua jornada no exílio nazi. Se é verdade que as produções francesas estão sempre em foco, este ano, surgem igualmente, com três filmes na competição, embora de realizadores não francófonos – como é o caso do iraniano Asghar Farhadi que se instala em Paris para as suas Histoire’s Parallèles, contando com a dupla Isabelle Huppert e Catherine Deneuve. Ainda o sul-coreano Na Hong-jin a juntar em Hope pela primeira vez o casal Michael Fassbender e Alicia Vikander. É ainda curiosidade termos um único americano, Ira Sachs, na competição, justamente, com a fantasia musical The Man I Love, contando com Rami Malek a ilustrar uma história sobre a sida nos anos 80 em Nova Iorque.

Por falar em França, são vários filmes francófonos, mesmo com cineastas de outras latitudes. Vejamos, por exemplo, o húngaro Lásló Nemes, com Moulin, ou o japonês Hamaguchi com Soudain. No plano feminino, há (apenas) cinco realizadoras na competição oficial – sendo três delas francesas: Léa Mysius com Histoires de la nuitCharline Bourgeois-Tacquet com A Woman’s Life e Jeanne Herry com Garance. A austríaca Marie Kreutzer trás Gentle Monster, ao passo que a alemã Valeska Grisebach, revela The Dreamed Adventure

Gilles Lellouche, em Moulin, de Lásló Nemes.

Um dos nomes (ainda) ausente é James Gray, com o seu Paper Tiger, contando com Scarlett JohanssonAdam Driver e Miles Teller. Possivelmente, um dos mais aguardados que será apresentado mais tarde. Aparentemente, faltará ainda assinar alguma ‘papelada’. 

Ainda algumas curiosidades: o regresso de Nicolas Winding Refn, que causou sensação em 2011, com Drivedesta vez na secção Un Certain Regard, com Her Private Helltal como a presença, nas sessões especiais de John Lennon: The Last Interview, de Steven Soderbergh e Avedon, de Ron Howard.

Como foi já anunciado, a festa do cinema começa em Cannes, no dia 12, com o filme de Pierre Salvadori La Venus électrique, num evento que presta ainda homenagem a Barbra Streisand e a Peter Jackson, que receberão a sua Palma de Ouro honorária.

Seleção Oficial

Minotaur, de Andrey Zvyagintsev

El Ser Querido, de Rodrigo Sorogoyen  

The Man I Love, de Ira Sachs 

Fatherland, de Paweł Pawlikowski 

Moulin, de László Nemes

Histoire de la nuit, de Léa Mysius 

Fjord, de Cristian Mungiu

Notre salut, de Emmanuel Marre

Gentle Monster, de Marie Kreutzer  

Nagi Notes, de Koji Fukada

Hope, de Na Hong-Jin

Sheep in the Box, de Hirokazu Kore-eda

Garance, de Jeanne Herry

The Unknown, de Arthur Harari

All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi

Das Geträumte Abenteuer (The Dreamed Adventure), de Valeska Grisebach

Coward, de Lukas Dhont

La Bola Negra, de Javier Ambrossi e Javier Calvo

A Woman’s Life, de Charline Bourgeois-Tacquet

Parallel Tales, de Asghar Farhadi 

Amarga Navidad, de Pedro Almodóvar

FORA DE COMPETIÇÃO

La Venus électrique), de Pierre Salvadori —Filme de Abertura

Her Private Hell, de Nicolas Winding Refn

Diamond, de Andy Garcia

Karma, de Guillaume Canet

L’Objet du Delit, de Agnes Jaoui

La Bataille de Gaulle: L’Âge de Fer, de Antonin Baudry

L’Abandon, de Vincent Garenq

UN CERTAIN REGARD

La más dulce, de Laïla Marrakchi

Club Kid, de Jordan Firstman

Teenage Sex and Death at Camp Miasma, de Jane Schoenbrun  

Everytime, de Sandra Wollner

I’ll Be Gone in June, de Katharina Rivilis

Yesterday the Eye Didn’t Sleep, de Rakan Mayasi

El Deshielo, de Manuela Martelli

Siempre Soy Tu Animal Materno, de Valentina Maurel

Elephants in the Fog, de Abhinash Bikram Shah

Benimana, de Marie-Clementine Dusabejambo

Le Corset, de Louis Clichy

Congo Boy, de Rafiki Fariala

All the Lovers in the Night, de Yukiko Sode

Ben’Imana, de Marie-Clémentine Dusabejambo

Uļa, de Viesturs Kairišs

Words of Love, de Rudi Rosenberg

SESSÕES ESPECIAIS

John Lennon: The Last Interview, de Steven Soderbergh  

Avedon, de Ron Howard

Les Survivants du Che, de Christophe Dimitri Réveille

Les Matins Merveilleux, de Avril Besson

Rehearsals for a Revolution, de Pegah Ahangarani

L’Affaire Marie Claire, de Lauriane Escaffre e Yvo Muller

Cantona, de David Tryhorn e Ben Nicholas

SESSÕES DE MEIA-NOITE

Roma Elastica, de Bertrand Mandico 

Full Phil, de Quentin Dupieux 

Gun-Che, de Yeon Sang-ho

Jim Queen, de Nicolas Athane e Marco Nguyen

Sanguine, de Marion Le Coroller

CANNES PREMIERE

Propeller One-Way Night Coach, de John Travolta

The Samurai and the Prisoner, de Kiyoshi Kurosawa

Heimsuchung (Visitation), de Volker Schlöndorff

The Match, de Juan Cabral e Santiago Franco

La Troisième nuit, de Daniel Auteuil

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