Domingo, Julho 21, 2024
InícioClássicosSan Sebastian dedica retrospetiva ao Japonês Hiroshi Teshigahara

San Sebastian dedica retrospetiva ao Japonês Hiroshi Teshigahara

O festival de San Sebastian dedica na sua 71ª edição uma retrospetiva clássica à obra do cineasta japonês Hiroshi Teshigahara (1927-2001), programando 20 obras, entre longas, curtas e médias metragens, ao longo dos anos 1953 and 1992. Paralelamente, o festival edita a brochura Avant-garde chronicles. Conversations with Hiroshi Teshigahara, da autoria de Inuhiko Yomota (com tradução espanhola a cargo de Daniel Aguilar), publicado em colaboração com o Basque Film Archive.

Teshigahara nasceu (e morreu) em Tóquio. Estudou Belas Artes e acabou por estrear-se no cinema com a curta documental Hokusai, em 1953, seguindo-se vários outros trabalhos em pequeno formato. Contudo, o jovem cineasta mostrava-se já interessado pelas diversas tendências do cinema ocidental, nomeadamente, nos movimentos de resistência do pós-guerra, em particular o neorrealismo italiano.

Woman in the Dunes (1964)

Figura central da indústria de cinema japonesa durante a década de 60, deve parte do seu sucesso na exploração poética e experimental do seu cinema à intensa colaboração que manteve com o argumentista Kobo Abe. Incontornável na sua obra será o filme Suna no onna/Woman in the Dunes (1964), onde o seu estilo se impõe de forma incontestada.

A sua primeira longa metragem acontece apenas em 1962, numa altura em que váriognomes da nova vaga japonesa – como Nagisa Oshima, Seijun Suzuki, Shohei Imamura, Susumu Hani, Yoshishige Yoshida ou Masahiro Shinoda – já se tinham mostrado. Ainda assim, o seu filme Woman on the Dunes, venceria o Prémio Especial do Júri, em Cannes, além de ser nomeado para o óscar de Melhor Realizador e Melhor Filme Estrangeiro

Foi igualmente em parceria com Kobo Abe que escreve The Trap, bem como as adaptações dos três romances que deram origem a Woman in the Dunes, Tanin no kao kao / The Face of Another (1966) e Moetsukita chizu / The Man Without a Map (1968), possivelmente, as obras mais conseguidas do cineasta.

Teshigahara fez também filmes para televisão, como dois filmes sobre o lutador de boxe porto-riquenho José Torres, bem como o escultor e pintor suíço Jean Tinguely e um filme sobre Tóquio em 1958. Em to do o caso, o seu documentário mais conhecido é Antonio Gaudí (1984), sobre e obra do arquiteto modernista catalão.

RELATED ARTICLES

Mais populares