Terça-feira, Maio 21, 2024
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Museu Lumière: foi aqui que nasceu o cinema

Inclui uma instalação de Jean-Michel Jarre e o cinematógrafo da primeira projeção dos Lumière

Era uma vez a aventura do cinema. É um pouco essa sensação cinéfila que nos habita ao entrar na villa Lumière, onde se situa também o Museu com o nome dos inventores do cinema. Ali mesmo, e como sempre, no nº 25 da rua do Primeiro Filme, em pleno bairro Montplaisir, na cidade de Lyon. Depois de encerrado durante vários meses, para remodelações, este espaço mítico reabriu as portas no dia 26, não só para manter a sua originalidade, mas sobretudo para o adaptar aos desafios digitais do século XXI. É desta forma que o diretor do Festival Lumière, Thiery Frémaux, procura cativar um público mais jovem. 

“Ele queria que os filmes Lumière estivessem ainda mais disponíveis para o público”, explica Lorenzo Feldhandler, o attaché de presse do Instituto Lumière, no início da nossa visita guiada, ocorrida durante o festival de cinema. É então esse público que pode voltar a apreciar a tecnologia fundadora do cinema, num espaço que nunca deixou de ser também uma casa de família. Pois continua a ocupar o lugar central desse imóvel imponente o quarto de Antoine Lumière e da sua esposa, pais de Auguste e Louis Lumière. Aliás, assim que começamos a subir as majestosas escadarias da entrada, é possível observar duas pinturas a óleo de Auguste Lumière (todo o seu acervo de pintura está no Instituto Lumière). 

Entre a tecnologia do cinema e a instalação (foto: Loïc Benoit)

Apesar de continuarem disponíveis neste espaço diversos aparelhos, como a lanterna mágica, kinetoscópio ou o cinematógrafo, percebe-se a intenção de aproximar ainda mais o público (de todas as idades) da beleza dos 1425 filmes Lumière, devidamente restaurados em 4K. E até de uma forma totalmente inédita, como explica o nosso cicerone, já que “a ideia é vê-lo todos projetados ao mesmo tempo numa imagem enorme”. E é essa sensação que nos transmite a tela gigante da altura da sala mostrando um puzzle de pontos de luz que, vistos em proximidade, se revelam como minúsculas projeções. “Mas como nem todos têm a mesma duração, vemos estes pequenos pontos de luz a desaparecer e a deixar pontos escuros que vão tomando conta do espaço“. Sim, como um verdadeiro mosaico virtual.

Todo o cinema Lumière © Maxime Gruss

Entre os tesouros mais valiosos desse espólio, destaca-se o cinematógrafo original usado na primeira projeção pública de cinema. Aquela ocorrida no Grand Café, em Paris, no dia 28 de dezembro de 1895. E sabemos que é “porque foi autenticado, pois os Irmãos Lumière gravavam o número dos aparelhos na madeira”, explca-nos. De facto, está bem visível a inscrição do nº 1 no aparelho. “Funciona com uma lâmpada em arco, que passava no pequeno aparelho de projeção e ao rolar da manivela o filme dividia-se na caixa; entretanto enquanto um operador rebobinava o filme, um outro carregava um outro, o que permitia projetar dez filmes em dez minutos. Era esse o programa de animação Lumière“. Ao lado, uma maqueta que estabelece o elo com o passado reconstituindo o espaço Salon Indien onde foi projetada essa sessão. 

O zootrópio gigante prestes a animar-se (foto: Loïc Benoit)

Uma outra igualmente impressionante é um Zootrópio de grandes dimensões, ocupando mesmo a maior parte da sala. Ao primir o botão, o dispositivo começa a girar lentamente, e ao atingir a velocidade certa, as esculturas ganham um movimento natural. A visita acaba com a música de Jean-Michel Jarre, na composição que fez para oito ecrãs de filmes Lumière sincronizados com o ritmo da música.

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