Sim, são pérolas. Muitas, vindas de Cannes, Veneza, Sundance, Berlim. É sempre assim. A secção ‘Perlak’ tem o condão de rivalizar com os filme a concurso para a Concga de Ouro. Ainda que este ano, a secção esteja suficientemente robusta. Tudo começa com Fatih Akin. Geister / Ghost Song, a estreia mundial do novo do realizador alemão.
Sim, Ghost Song vai abrir a competição oficial do 74.º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, no dia 18 de setembro, depois da cerimónia de abertura, no Kursaal. É um começo em força para uma edição que promete – de 18 a 26 de setembro e que reúne 17 filmes na corrida à Concha de Ouro, três deles primeiras longas-metragens.

Akin chega a Donostia com um currículo que dispensa apresentações: venceu o Urso de Ouro em Berlim com Head-On, recebeu o prémio de Melhor Argumento em Cannes por The Edge of Heaven e o Grande Prémio do Júri em Veneza por Soul Kitchen. Mas Geister / Ghost Song será a sua primeira participação na competição de San Sebastián. A história parte de Farasha e Faris, dois jovens que se encontram numa festa de finalistas; ela morre nessa mesma noite e, depois da morte, poderá reencontrá-lo em sonhos durante quarenta noites.
A competição oficial tem, por si só, argumentos para concentrar a atenção: além de Akin, estão na corrida realizadores como Mike Leigh, Pablo Larraín, Jesse Eisenberg, Nicole Garcia, Amanda Kernell, Gabriel Martins ou Hans Petter Moland. Mas San Sebastián tem um problema — um problema de luxo, naturalmente: a competição pela Concha de Ouro terá de rivalizar com uma das secções mais apetecíveis do festival.
Mas vamos às ‘Pérolas’. São uma presença habitual em Donostia, mas a edição de 2026 parece feita para confirmar a sua vocação de secção premium de qualquer festival. São 16 filmes, recolhendo a nata agraciada com prémios nos grandes festivais internacionais. Onze filmes passaram por Cannes, incluindo a Palma de Ouro, prémios de realização e de interpretação; os restantes chegam de Veneza, Berlim e Sundance. Todos, com exceção do filme de encerramento, Juste une illusion, concorrem ainda ao Prémio do Público da Cidade de Donostia/San Sebastián.

Há Fjord, de Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, onde recebeu ainda o Prémio do Júri e o FIPRESCI. Há Fatherland, de Paweł Pawlikowski, distinguido ex aequo com o prémio de Melhor Realização. E há La bola negra, de Javier Ambrossi e Javier Calvo, que partilhou precisamente esse prémio de realização em Cannes.
E basta começar a percorrer os títulos para perceber a dimensão da pequena constelação.
Também não faltam nomes que já estabeleceram uma relação particular com San Sebastián. Lukas Dhont regressa com Coward, depois de Girl ter passado por Perlak em 2018 e de Close ter recebido o Grande Prémio em Cannes. Ryusuke Hamaguchi apresenta Soudain / All of a Sudden, protagonizado por Virginie Efira e Tao Okamoto, ambas distinguidas ex aequo com o prémio de Melhor Atriz em Cannes. E Nanni Moretti traz Succederà questa notte / It Will Happen Tonight, apresentado em Veneza e parcialmente rodado em San Sebastián no ano passado.
Mas é talvez Minotaur, de Andrey Zvyagintsev, que melhor resume a lógica de Perlak. O filme, vencedor do Grande Prémio em Cannes, será o primeiro a ser exibido na secção. Zvyagintsev conhece bem a geografia dos grandes festivais — venceu o Leão de Ouro em Veneza com The Return e foi premiado em Cannes por The Banishment, Elena e Leviathan.

Há ainda espaço para descobertas. Club Kid, primeira longa de Jordan Firstman, passou pela competição Un Certain Regard de Cannes; Iron Boy, de Louis Clichy, marcou a estreia a solo do realizador depois do trabalho na Pixar e recebeu o Prémio Especial do Júri em Un Certain Regard, além de prémios em Annecy; Tangles, primeira longa de Leah Nelson, chegou a Cannes como Special Screening.
É este o paradoxo feliz de San Sebastián: uma competição oficial já suficientemente relevante para justificar uma viagem ao País Basco encontra, a poucos metros de distância, uma seleção que parece ter reunido algumas das grandes “pérolas” da temporada internacional. Não se trata de escolher entre a competição e Perlak, mas de perceber como será possível acompanhar as duas.
Entre 18 e 26 de setembro, a pergunta talvez não seja apenas qual será o filme vencedor da Concha de Ouro. Será, antes, quantas destas pérolas conseguiremos apanhar — e quanto tempo sobrará para fazer tudo o resto.









