Terça-feira, Julho 16, 2024
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Young at Heart – retrospectiva da Berlinale explora o cinema coming of age

Paulo Portugal, em Berlim

Uma das novidades mais relevantes da vasta programação da Berlinale consiste no relevo dado ao cinema enquanto património. Com Rainer Rother, o diretor artístico da Deutsche Kinemathek, a lançar o desafio a perto de três dezenas de cineastas para escolherem os seus filmes de adolescência. Claro, sempre em cópias restauradas e digitalizadas. Os resultados não poderiam ser mais entusiásticos.

São inúmeros os exemplos e merecem alguma atenção: Wim Wenders escolhe Fúria de Viver, de Nicholas Ray (o filme que abre o certame), Martin Scorsese, opta por um dos primeiros trabalhos de Bernardo Bertolucci, o poderoso Prima della Revoluzione, de 1964; já o ucraniano Sergei Loznitsa, encontrou relevância no que se passa hoje em The Beauty, do lituano Arūnas Zebriūnas, de 1969. Outras escolhas: a francesa Alice Diop, com Aos Nossos Amores, de Maurice Pialat, a espanhola Carla Simón a optar pela obra-prima de Victor Erice, O Espírito da Colmeia (1973), o iraniano (detido) Mohammad Rasoulof, selecciona O Enigma de Kasper Hauser, de Werner Herzog (1974), Ethan Hawke, o clássico Rumble Fish, de Francis Ford Coppola (1983), Pedro Almodóvar, Esplendor na Relva, de Elia Kazan (1961), Juliette Binoche, Três Cores: Azul, de Kieslowski (1993), etc, etc…

O centenário de ‘A Woman of Paris’, de Chalie Chaplin (Berlinale)

Numa outra dimensão, a secção Berlinale Classics apresenta um pequeno programa de oito filmes, realizados entre 1923 e 1991, igualmente em cópias restauradas digitalmente, que podem agora ser redescobertos, com excelente qualidade de som e imagem, na selecção da equipa de Rainer Rother. Merece destaque o centenário de A Woman of Paris, de Charlie Chaplin, de 1923, ambientado na Paris dos loucos anos 20, em que um trio amoroso (Edna Purviance, Clarence Geldart e Adolphe Menjou) vive um drama de consequências imprevisíveis. Este filme, sem a interpretação de Chaplin, será exibido em cópia restaurada em 4K, pela Imagine Ritrovata, de Bolonha, e com uma banda sonora que inclui a partitura do próprio realizador.

O ‘clássico’ Naked Lunch (1991), de David Cronenberg (Berlinale).

Além deste, um dos casos que mais atenção merece nesta selecção é a presença de Mapantsula, do sul africano Oliver Schmitz, exibido originalmente no festival de Cannes, na secção Un Certain Regard, em 1988. Talvez aquele que se assume como o primeiro filme anti-‘apartheid’ vindo na África do Sul, e que explora a ação de um pequeno gangster (Thomas Mogotlane) durante a resistência ao regime de supremacia branca. A película original em 35mm foi digitalizada para 4K, em Londres, com correcção de cor realizada no Canadá. O tema racial está igualmente evidente em, Adivinha quem vem para Jantar (1963), de Stanley Kramer, com a personagem invocada por Sidney Poitier a chocar uma família branca. Tem ainda a particularidade de mostrar Spencer Tracy no seu derradeiro trabalho.

Contam-se ainda os filmes Sogni D’Oro, de Nanni Moretti (1981), em estreia da versão restaurada, bem como Naked Lunch, de David Cronenberg (1991), sobre os fantasmas de William Burroughs, igualmente em estreia mundial nesta versão restaurada, além de Twilight, do húngaro György Fehér (1990), Undercurrent, do japonês Kōzaburō Yoshimura (1956) e ainda a produção suíça de Romeo and Juliet in the Village, de Valérien Schmidely e Hans Trommer.

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