‘Cidade Rabat’ conquista Caminhos do Cinema Português

Edgar Pêra recebe prémio do público e direção artística enquanto Basil da Cunha é considerado melhor realizador. Beatriz Batarda e Romeu Runa ganham prémios de interpretação.

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O filme Cidade Rabat, de Susana Nobre, foi considerado o melhor na secção competitiva dos Caminhos do Cinema Português, o festival realizado em Coimbra entre 10 e 18 de novembro. Uma distinção que não surpreende, já que se trata de um registo com a capacidade de atravessar o espaço, tão incerto quanto fascinante, entre a ficção e a realidade. Talvez esteja mesmo aí que reside a força de Cidade Rabat, num filme que parece esconder mais do que revela.

O filme foi exibido em fevereiro passado no festival de Berlim, além de ter participado igualmente no IndieLisboa. Antes da partida para Berlim, falámos com a realizadora, que nos contou que considera “o real também como uma interpretação”, pois é, segundo confirma “um duelo da ordem da ficção. Estamos sempre entre estes dois contrapesos. Mas este é um filme completamente feito na lógica da ficção. Ainda que no controlo da cena; dos diálogos de uma montagem, que foi em parte feita na rodagem.”

Victoria Guerra, em The Nothingness Club – Não Sou Nada, de Edgar Pêra.


Premiado também foi o novo filme de Edgar Pêra, The Nothingness Club – Não Sou Nada, sobre a multiplicidade de heterónimos e vozes dentro da mente criativa de Fernando Pessoa. Obteve a preferência do público, além de ter recebido a distinção de melhor direcção artística para Ricardo Preto.

As curtas Corpos Cintilantes, de Inês Teixeira, Dildotectónica, de Tomás Paula Marques, e Quase Me Lembro, de Dimitri Mihajlovic e Miguel Lima, receberam os prémios de melhor ficção, documentário e animação, respetivamente. Ao passo que o prémio de realização consagrou o trabalho rigoroso de Basil da Cunha na curta 2720.

O palmarés do festival distinguiu igualmente o actor Ruben Simões, em Vadio, de Simão Cayatte, bem como a melhor montagem para Teresa Font no mesmo filme. No plano da interpretação, Beatriz Batarda e Romeu Runa viram reconhecido o seu trabalho em Great Yarmouth – Provisional Figures, de Marco Martins. Já Leonor Teles viu premiada a sua fotografia em Baan, um filme que também realizou.

Por fim, foi atribuído pela primeira vez o prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, desta feita, para O Bêbado, de André Marques.