Um festival que não se esgota na imagem e prolonga o seu gesto no espaço do encontro, memória e circulação de ideias.
É no atual clima de agitação política internacional, no Médio Oriente, e crescente instabilidade, em particular, desde o alargamento do conflito com o Irão, que decorre (de 26 de julho a 3 de agosto) a 7ª edição do Amman International Film Festival – Awal Film (AIFF), presidido pela Princesa Rym Ali. Apesar da neutralidade do reino da Jordânia, essa incerteza fez-se sentir, logo no início do festival, com a activação de alertas nacionais de emergência, ainda que em modo de treino. Aliás, algo semelhante já acontecera o ano passado, com o conflito em Gaza, acabando por condicionar a programação e o ambiente do festival.
A actual edição decorre então sob uma pressão mais difusa, ainda que o tema “Beyond the Frame” sublinhe bem o papel do cinema enquanto instrumento de ligação e entendimento, sublinhando a sua capacidade de produzir efeitos para além da imagem e de refletir as condições concretas da sua produção e exibição.

A programação do AIFF abrange uma selecção de 82 filmesm de 27 países, coordenada por Fadi Haddad e Murad Abu Eisheh e organizada em torno de seis secções: ficção árabe, documentário árabe, competição internacional, curtas árabes, “Made in Jordan” e sessões fora de competição. A secção ‘First & Latest dedicada a primeiras obras e filmes recentes de cineastas consagrados, inclui ainda masterclasses e encontros com o público. Os prémios incluem a Black Iris, troféu concebido por Mohanna Durra, inspirado na flor nacional jordaniana, e o prémio da FIPRESCI, que distingue o melhor documentário do mundo árabe.
A curadoria do festival evidencia temas recorrentes como identidade, pertença e instabilidade, reflectindo diversas experiências individuais, moldadas por amplas pressões sociais e políticas, embora sem descurar essa urgente dimensão comum de humanidade. É então neste contexto regional marcado pela incerteza que o AIFF afirma a sua força enquanto plataforma de exibição e espaço de mediação entre cinema e realidade.
A fechar, numa nota mais informal — digamos, também ela “além da moldura” —, assinalando o encontro da Princesa Rym Ali com membros do júri. Este momento de proximidade, que superou o protocolo, permitiu que a presidente do festival ela própria ex-jornalista – correspondente da CNN – estabelecesse uma comunicação aberta com os diversos colegas do júri. No nosso caso, recordámos a SAR a ligação a Portugal e à condecoração recebida em Lisboa — a Ordem do Infante D. Henrique —, atribuída em 2018 pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Algo que reconheceu, de uma forma sentida, bem como a vontade de sublinhar os encontros mantidos com Jorge Sampaio, o PR na altura, destacando o apreço pessoal e a importância do diálogo cultural que ambos defenderam.









