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Marvel Tōkon: Fighting Souls – Traz o teu espírito de luta e vem esmagar uns botões (Análise)

Arc System Works entra no mundo Marvel

O título não é despropositado: “O termo japonês tōkon (闘魂) significa literalmente espírito de luta.” E é mesmo assim que todos os jogadores devem encarar este ambicioso jogo da Arc System Works, com garra e energia, porque a partir do momento em que clicamos no X para abrir o jogo, tudo o que nos aparece à frente é extremamente elétrico. E é de realçar que este é um estúdio habituadíssimo a jogos de luta, mas que sai da bolha Dragon Ball e Guilty Gear para explorar o universo Marvel pela primeira vez. Não é fácil criar um jogo de luta inovador, porque, no fim das contas, é um género simples; a brecha está, obviamente, na narrativa, algo em que Marvel Tōkon: Fighting Souls não se destaca particularmente. No entanto, a identidade do jogo está precisamente no deslumbre visual que traz, no modo online e, claro, na frustrante, mas excitante dificuldade de cada luta.

O último jogo de luta da Marvel faz parte da linha principal de Marvel vs. Capcom. Lançado em 2017, Marvel vs. Capcom: Infinite é um título que não impressionou os críticos (pontuação de 72 no Metacritic) pelos problemas visuais e pela exclusão dos X-Men e personagens como Doctor Doom. Nove anos depois, a 6 de agosto de 2026, a Arc System Works criou e a Sony Interactive Entertainment publicou aquele que será, muito provavelmente, o jogo de luta do ano.

Narrativa que não foi campeã

Como anunciado antes da estreia do jogo, existem grupos de personagens, como os Samurai Outriders com Ghost Rider, Deadpool, Loki e Blade, ou os Knights of Doom liderados por Doctor Doom, Magneto, Green Goblin e Carnage. Composta por 5 episódios, cada um focado numa das equipas disponibilizadas no lançamento, a campanha offline peca pela repetição, apresentando o mesmo objetivo final para todas elas. O maior trunfo é mesmo a estrutura inspirada nas bandas desenhadas, abordando cada episódio como uma realidade alternativa onde o jogador controla uma equipa diferente.

Ainda assim, é mais que sabido que os jogos de luta fiam-se bastante nos modos online, nas partidas ranked e nos torneios que acontecem nas plataformas ou mesmo em eventos dedicados (como já vimos Mortal Kombat e Super Smash Bros). Por isso, é compreensível que mais esforço tenha sido colocado nesse setor, embora eu considere que se os episódios offline tivessem mais dedicação, Marvel Tōkon superaria diversos títulos do género.

Um jogo que pensa sempre no próximo

Nunca fui grande mestre em jogos de luta 2D, simplesmente porque a minha coordenação motora para fazer combinações com 12 botões ao mesmo tempo e tudo num timing perfeito nunca foi a melhor. Mas no modo Character Lessons, cujo objetivo é praticar as 10 combinações de cada personagem, que vão ficando progressivamente mais difíceis, completei as minhas humildes, mas orgulhosas 5. Basicamente, as restantes perguntam-te “Queres passar as próximas 4 horas a tentar destruir o teu comando aos poucos?”
Em Marvel Tōkon: Fighting Souls podes martelar os botões que quiseres e mesmo assim ser bem-sucedido… até entrares numa partida online. O que nos mantém a tentar são a expectativa de como vamos celebrar quando conseguirmos e, mais uma vez, os visuais, as animações, os diálogos… Vocês perceberam.
Para quem não é bom em jogos de luta, este é um ótimo título para começar a treinar os dedos para algum Mortal Kombat/Injustice futuro ou até mesmo para o Dragon Ball Xenoverse 3.

Pequeno vídeo feito por mim que representa os dois lados do jogo

Modos offline “divertidos” e falta de público

Porquê as aspas? Bem, tanto o modo Arcadia Rumble como o modo All-Star Arena cumprem a sua função; quase todos os jogos de l uta têm um modo Arcade e algo mais. E até são divertidos… nos primeiros 20 minutos, depois vão todos para o online. Diria que “têm pouco sal”; não fazem jus a boas iniciativas como vimos em Mortal Kombat 1, Tekken 8 e Street Fighter 6.
No modo Arcadia Rumble, criamos um avatar chibi para combater outros jogadores (CPU ou não) numa sala, mas acaba por não acrescentar muito à experiência. O All-Star Arena é o equivalente ao modo Arcade de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – The Hinokami Chronicles ou My Hero One’s Justice 2, dois jogos lançados há mais de 5 anos.


A maior parte das minhas horas no jogo tem sido passada a tentar evoluir o meu rank, só que não tenho conseguido e não, não é porque tenho perdido, caso se estejam a perguntar. Cada vez que procuro uma partida, o tempo de espera ronda os 2-3 minutos para encontrar o meu adversário (de dia, porque de noite é impossível). A PlayStation não disponibiliza o número de jogadores mensais, todavia, na Steam, estão ativos, à data da publicação deste artigo, 6186 jogadores. Ou seja, mesmo que eu queira fazer uma sessão de 2 horas em lutas online, metade desse tempo será passado na sala de espera enquanto o Deadpool me diz repetidamente para tirar os olhos do telefone (sim, é mesmo um diálogo dele quando estou inativo).

Encontro um oponente mas ele cancela a partida

O que é que nos puxa afinal?

Marvel Tōkon, como já referi anteriormente, tem uma comunidade online enraizada, juntamente com uma dificuldade que vai muito além de compreender que botões pressionar e quando. A motivação que cada um tem de voltar a ligar a consola ou o computador e abrir o jogo é para sentir a alegria e o prazer daquela vitória merecida, aquele jogo em que estávamos a perder 2-0 e acabamos por vencer com um combo de 23 hits. Se fosse para incentivar alguém a jogar este título, eu diria: “Quanto mais ganhas, mais gostas.” Para alguns até pode afastar ainda mais, mas para gamers que aceitam um bom desafio, não há nada como uma tarde a partir o DualSense ao meio, só a clicar na bola e no triângulo e quando se faz um K.O pensa-se “Nem sei como fiz isto.”

Estava a perder 2-0 e acabei por ganhar

Opinião Final

Marvel Tōkon: Fighting Souls é um ótimo jogo de luta, para quem já sabe os cantos da casa ou para quem nunca pegou num comando. O modo online cativa-nos a continuar a clicar no “Rematch” depois de uma derrota dura ou de um triunfo satisfatório e, visualmente, o jogo é incrível, misturando um pouco de animação japonesa com as personagens icónicas da Marvel. Para manter os jogadores agarrados, a Arc System Works terá de lançar mais personagens e ampliar um pouco mais os modos offline, quer seja a expandir a história ou a criar algo novo, de forma a puxar mais jogadores para não termos de esperar eternidades para começar uma luta em rede.

Nota Final: 8.4/10

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