Entre a nova geração, os novos filmes de Susana de Sousa Dias, João Nicolau e Catarina Mourão, ou a recordação de João Canijo; no plano internacional, espreitam três mulheres de respeito: Ulrike Ottinger, Claire Denis e Valérie Donzelli – além do provocador Radu Jude. Sim, há muito para descobrir!
Ir ao Indie e ter ‘aquela’ experiência de cinema! Descobrir o melhor do cinema Indie, num dos mais recomendáveis festivais de cinema independente europeus! Sim, isso será o mais provável acontecer, entre os dias 30 de abril e 10 de maio. Pudera, são 241 filmes para seguir nas habituais salas do festival – da sala da Culturgest, ao cinema São Jorge, passando pelo Ideal, as salas Fernando Lopes, e, claro, a Cinemateca Portuguesa, para as sessões de retrospetiva. Vamos já a ela?

Porque não?! Este ano, a celebrar o sub-género Mukumentary, ou seja, parodiando os próprios documentários. Aqui traçando uma linha cronológica que vai da recuperação do mítico This is Spinal Tap, do falecido Rob Reiner, a O Projecto Blair Witch, embopra mostrando ainda, pelo meio, Zelig, de Woody Allen, ou Punishment Park, de Peter Watkins.
Como sempre, o melhor do cinema indie espalha-se ao longo de diversas frentes: desde logo, as competitivas – nacional e internacional, nas modalidades de longas e curtas, bem como nas secções paralelas: Boca do Inferno, Director’s Cut, IndieJúnior, IndieMusic, Novíssimos, Rizoma, Silvestre e Smart7.
No plano internacional temos, desde logo, na sessão de abertura, The Loneliest Man in Town, de Tizza Covi e Rainer Frimmel, o nosso filme preferido na secção competitiva na Berlinale, além de The Blood Countess, de Ulrike Ottinger, com Isabelle Huppert, também exibido em Berlim, além de Dracula, de Radu Jude (3 horas), ou Le Cri des Gardes, de Claire Denis, com Matt Dillon (que vimos em San Sebastian).

No panorama tuga (sempre o lado mais excitante do festival) há muito para revelar: não será (provavelmente) uma novidade, mas a exibição da “versão do realizador” de Noite Escura, de João Canijo, merece ser um dos pontos fortes do festival, com mais 17 minutos do que a versão mostrada em Cannes 2004. Na secção competitiva, teremos então entre 8 longas e 21 curtas (na maior seleção curta de sempre). No grande formato, são muitos os aguardados: A Providência e a Guitarra, de João Nicolau, filme de abertura no festival de Roterdão, bem como 18 Buracos para o Paraíso, de João Nuno Pinto, exibido nos festivais de Tallinn e Mar del Plata – ambos com data de estreia imediata. De referir que este querido mês de Maio revelará novos filmes portugueses em cada semana: por exemplo, veremos finalmente o novo de Rita Azevedo Gomes, o documentário provocador Fuck the Polis, vencedor do FIDMarseille, e Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar, de José Filipe Costa (a concurso no Indie do ano passado).
À competição deste ano juntam-se ainda Fordlândia Panacea, de Susana de Sousa Dias, depois de ser exibido no IDFA em Amesterdão, onde a carreira de Sousa Dias foi alvo de homenagem; ainda Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete, Cochena, de Diogo Allen, Fractais Tropicais, de Leonardo Pirondi, Kiss and Be Friends, de Ana Baldini e Roly Witherow, e ainda Segundo Amor, de Rodrigo Braz Teixeira.

No segmento das curtas metragens, veremos Dois e um Gato, na única realização da montadora Patrícia Saramago, desaparecida no final do ano passado. Catarina Mourão regressa com Os Bravos, tal como David Bonneville, com Dia de Cão, ou Marco Leão e André Santos, com Vivomorto. Teremos ainda a oportunidade de ver os filmes de Inês Nunes, A Solidão dos Lagartos (exibido em Cannes, o ano passado), O, de Francisca Alarcão, (em Roterdão, já este ano), uma presença constante no cinema de João Rosas, ou Quietud, de Gonçalo Almeida (exibido em Toronto, em 2025).
No campo do cinema do real, chega-nos uma bela coleção de filmes espalhados em diferentes secções: desde logo, Auto da Casa, de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira, mas também Esse Olhar que é Só Teu, de Luísa Sequeira, ainda Mulheres de Abril, de Raquel Freire, Não Desvies o Olhar, de Júlio Alves, O Velho Salazar, de João Botelho, e Pardo é Papel, de Alexis Zelensky (Rizoma). Mas há mais: Percursos Alternativos, de Rui Mota Pinto, Quem Tem Medo de Zurita de Oliveira?, de Francisca Marvão, e Rua (Isto Não é um Filme, é um Cometa), de Nuno Calado e Bigos Campaniço (IndieMusic). Será um pouco assim o IndieLisboa 2026. Correção, será muito mais do que isso!









