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Marathon – Sobrevive ou morre a tentar (Análise)

Bungie aposta num extraction shooter promissor

Marathon é um PvPvE (Player versus Player versus Environment) produzido pela Bungie e publicado pela Sony Interactive Entertainment. O jogo foi disponibilizado ao público no dia 5 de março de 2026 para PS5, Xbox Series X | S e Windows. Este título faz parte de uma categoria específica de shooters.

A lógica é simples: se morreres dentro do jogo, perdes tudo o que coletaste até ali, desde pequenos recursos de cura a armas valiosas e, embora o jogo seja puramente um FPS online em que o objetivo é rechear o inventário, Marathon possui uma narrativa interessante. Estamos no ano de 2893, quase um século depois da nave UESC Marathon ter desaparecido, nave que levava 30000 colonizadores para o planeta Tau Ceti IV; no entanto, todos desapareceram. É aqui que nós entramos, os runners. Estes soldados cibernéticos são contratados por agências para explorar áreas de alto risco, recolher materiais e sair. Estas missões são chamadas de runs. Podes entrar numa run sozinho, apesar do comum (e recomendado) ser jogar em equipas de 3, pois os jogadores de Marathon não perdoam, tu tens algo que eles querem: o teu inventário todo. Um jogador, ao longo do tempo, desbloqueia mais organizações e pode examinar novos contratos que, quando completados, oferecem sempre recompensas. Existem contratos normais, mas também contratos de alta prioridade que têm objetivos relacionados à história do jogo e por isso servem de “missão principal”.

Vídeo de introdução do jogo (fonte: YouTube (@GamersPrey))

Quando morrer importa: o design do permadeath

São jogos assim que nos fazem mudar o nosso estilo e a nossa estratégia, sabendo que cada vez que entramos, corremos o risco de perder o que acumulámos em várias horas. Embora este não seja o permadeath mais conhecido de jogos como Wolfenstein, God of War Ragnarok (Valhalla) ou qualquer outro que possua um modo de dificuldade hardcore, este sistema de perda de todos os itens após a morte in-game é tão doloroso como ter de voltar ao início de uma narrativa. Quando me encontrei pela primeira vez em perigo a sério e perdi um tiroteiro para outro runner adversário, pensei que a minha jornada tinha terminado ali. Talvez essa assunção se deva à falta de tempo de jogo em títulos como Call of Duty ou Fortnite ultimamente (ou apenas um investimento acrescido no CS2, onde não há espaço para reviver ninguém…). Mas não foi o caso, a minha partida, de facto, não acabou naquela batalha, pois eu esqueci-me completamente da existência das mecânicas para reviver nos jogos online e, por isso, mantive o meu inventário intacto nessa run. Na partida seguinte acabei cercado por 3 adversários e perdi tudo.

Upgrades ortodoxos (ou não)

A maior parte das melhorias da personagem é comum e está de acordo com o panorama do jogo, como permitir correr e deslizar mais tempo antes de sobreaquecer (funciona como barra de resistência). Não obstante, já viram algum jogo com um upgrade cuja descrição é “revelar os itens mais rápido ao abrir uma caixa ou ao inspecionar mochilas”? Porque sim, isso existe em Marathon e pode fazer a diferença. Se estiverem com pouca saúde e à procura de cura, mas com um inimigo nos vossos calcanhares, aquele segundo e meio para mostrar se o item é um patch kit (cura de vida) ou se é simplesmente unstable gunmetal (item inútil dentro do jogo, mas útil fora) pode salvar-vos a vida (e o inventário, claro).

Partidas dinâmicas

Outra vantagem do jogo, e também por ser um extraction shooter, é a capacidade que o jogador tem de controlar a duração da sua partida. Tens 3 objetivos, mas já completaste 1 e não queres arriscar os teus materiais por mais 2? Podes simplesmente ir para o ponto de extração e sair. A extração não precisa de ser em conjunto, se os teus colegas de equipa estiverem longe, podes extrair sozinho, no entanto, estarás a solo quando fores emboscado durante o tempo de espera para te retirares. Daí este jogo ser bastante cooperativo e todos precisarem de todos para protegerem os seus bens preciosos. Dito isto, uma partida tanto pode durar 5 minutos como pode durar um máximo de 25 minutos.

Mecânicas, visuais e IA

Embora o inventário seja uma grande parte do “bolo”, a personagem utilizada também tem impacto, pois cada uma possui habilidades próprias.
Os utilizadores podem escolher entre 7 shells disponíveis no lançamento, que funcionam quase como os operadores do Rainbow Six Siege ou dos champions de League of Legends, em que conforme a experiência com uma personagem é acumulada, os jogadores tendem a torná-la como a sua principal (também chamada de main). Destroyer, Vandal, Recon, Assassin, Triage, Thief e Rook são as classes disponíveis e cada uma tem uma habilidade Prime, uma habilidade tática e 2 passivas. A Bungie irá com certeza adicionar mais shells ao longo do tempo para alargar o leque de opções para os fãs. Ao contrário de Destiny, estes personagens possuem habilidades pouco criativas e reutilizadas, como a bomba de fumo e camuflagem do Assassin ou as ferramentas de suporte do Triage.

As 7 shells disponíveis após o lançamento (fonte: Reddit)


As mecânicas encarnam bem o estilo da Bungie com um gunplay caracteristicamente bom, no entanto, os visuais são o ponto fraco do jogo. Tanto os menus como a estética in-game não estão de acordo com as expectativas, pois a interface é confusa e os trailers não refletem a realidade após o lançamento.
Sendo um PvPvE, a nossa preocupação não será apenas os outros runners, mas também os soldados da UESC que possuem um poder de combate ambicioso, que não é nem muito ofensivo nem misericordioso.

Opinião final

Marathon é um jogo bastante cativante nos primeiros minutos, mas que se pode tornar tedioso dependendo do jogador e das esperanças do mesmo. É sem dúvida promissor, e faz esta mistura entre hero shooters e extraction shooters, no entanto, a quantidade de itens é abundante e os menus são realmente pesados e podem afastar players que queiram algo mais simples e não tão complexo. Relativamente à falta de originalidade nas shells, a Bungie terá espaço para se redimir quando lançar mais futuramente e irá certamente angariar mais jogadores com isso. De qualquer modo, o estilo de tiroteiro típico da Bungie continua lá e isso é sempre algo a considerar. Por fim, a sede dos adversários para te eliminarem e roubarem o teu loot a todo o custo promove uma jogabilidade intensa e excitante.

Nota Final: 7/10

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