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Starfield (PS5) – O simulador espacial de eleição (Análise)

Será que as mudanças se notam 3 anos depois?

Starfield chega finalmente à PS5 depois de ter passado anos como exclusivo Xbox/PC, agora com todas as atualizações, expansões e o revolucionário Free Lanes incluídos. Isto faz com que seja, sem grande discussão, a versão mais completa do jogo da Bethesda. Melhorias técnicas, mais estabilidade e um pacote mais “fechado” fazem com que esta seja uma espécie de edição definitiva.
Mas isto não muda o essencial: a estrutura do jogo é a mesma de sempre. É um RPG espacial gigantesco, repleto de sistemas, menus e mecânicas, cuja base não foi reestruturada desde 2023. Ou seja, tudo o que já funcionava… continua lá, e tudo o que dividia opiniões… também.

Nem todos os planetas merecem uma aterragem…

Starfield estreou inicialmente para Xbox Series X|S e PC a 6 de setembro de 2023 e, no dia 7 de abril de 2026, a versão PlayStation chegou às consolas. O jogo foi produzido pela Bethesda Game Studios e publicado pela Bethesda Softworks.
A promessa de Starfield sempre foi bastante sedutora: múltiplos planetas, dezenas de sistemas e liberdade para seguir qualquer rumo. E, tecnicamente, o jogo consegue cumpri-la. O problema é que quantidade nem sempre significa qualidade e, por exemplo, muitos planetas existem sobretudo como figurantes para recolher recursos, enfrentar alguns inimigos e seguir caminho, sem grande identidade própria.

Começamos bem…

Ao contrário de jogos como Skyrim ou Fallout, onde basta andar sem destino para encontrar algo inesperado, aqui a exploração é mais funcional do que propriamente orgânica. O que é que isto quer dizer? Escolhes um destino, abres o mapa, saltas de sistema em sistema e aterras diretamente no objetivo.
O update que introduziu os Free Lanes reduz um pouco essa dependência dos menus e permite viagens dentro do mesmo sistema de forma mais natural; no entanto, não altera o problema-base. O espaço é extenso e visualmente impressionante, mas não prende o suficiente ao ponto de nos fazer desviar do caminho principal só para ver o que existe além do horizonte.

O prato principal não é o mais “saboroso”

A história principal coloca-nos ao serviço da Constellation, um grupo dedicado a investigar artefactos misteriosos e os segredos do universo. Embora a premissa seja interessante, e sem entrar em spoilers, o jogo introduz algumas ideias narrativas ousadas, sobretudo na forma como aborda o Novo Jogo+. Ainda assim, o ritmo da campanha nem sempre acompanha a ambição do conceito, devido à abundância de ideias que a Bethesda quis aglomerar.

Para onde me levam?!

Os diálogos mantêm o estilo clássico do estúdio: planos fechados nas personagens e animações faciais meio rígidas e frias. É funcional, mas pode melhorar.
Pois bem, chegamos ao sumo de Starfield: as facções. São elas que elevam a experiência narrativa. A UC Vanguard, a Crimson Fleet, os Freestar Rangers e a Ryujin Industries oferecem algumas das missões mais envolventes e relevantes do jogo, com dilemas morais e histórias que dão mais personalidade ao universo. Na prática, o jogo ganha outra dimensão e a experiência transforma-se quando deixamos a missão principal em pausa e nos perdemos nestas narrativas paralelas.

Sem VATS, sem desculpas

Se há área onde Starfield evolui claramente, é no combate. Os disparos são mais responsivos e a movimentação transmite ao jogador uma sensação de controlo que faltava em alguns títulos anteriores da produtora. Não existe um sistema como o VATS (Vault-Tec Assisted Targeting System) de Fallout, mas, pela primeira vez, não sentimos falta dele.

Eliminação Rocket Racoon Style

As batalhas em gravidade zero são particularmente memoráveis, transformando confrontos normais em sequências mais criativas e marcantes. A progressão também está bem estruturada, com as árvores de habilidades a incentivar especializações em combate, tecnologia, exploração ou persuasão. À medida que desbloqueamos novos poderes e modificações de equipamento, o sistema torna-se mais flexível.
Até pode não reinventar o género, mas é, sem dúvida, o sistema de combate mais sólido e consistente que a Bethesda já apresentou.

Se a nave é tua… então o espaço também

A construção de naves é facilmente um dos elementos mais viciantes de Starfield. O nível de detalhe é surpreendente: não é só trocar motores ou armas, mas sim montar uma nave praticamente de zero, peça por peça, afinando o desempenho, compartimentos e aparência. É um sistema tão vasto que, por si só, consume horas sem darmos por nada.

Sim, isto é a criação de uma nave no jogo (fonte: Reddit)

O combate espacial, com as naves, também é imersivo e bem feito, exigindo uma gestão acertada de energia entre motores, escudos e armas, o que dá um toque mais estratégico às batalhas, não pode ser só “piu-piu”. Se forem mais fora da lei, acrescenta-se a possibilidade de roubar naves, registá-las e adicioná-las à nossa frota. Se isso não vos convence…
Nem tudo é perfeito, claro, os menus continuam um pouco confusos e o inventário permanece uma amálgama de coisas, sobretudo para aqueles exploradores que recolhem tudo o que encontram. Ainda assim, a liberdade na jogabilidade é, num todo, um dos maiores trunfos do jogo, dando longevidade ao título e sendo também uma das principais razões para continuar a jogar.

Edição Premium: Vale os 70€?

Edição Premium (fonte: Bethesda)

Se fores fã de exploração espacial, batalhas com naves criadas ao teu gosto e gostaste tanto da história de Starfield que queres mais, então sim, claro que vale o preço pedido.
A Edição Premium na PS5 acaba por ser a forma mais completa de entrar no universo do título. Inclui o jogo base totalmente otimizado para a PS5, juntamente com a expansão Shattered Space e a DLC Terran Armada, que possuem duas abordagens narrativas distintas: uma mais misteriosa centrada em House Va’ruun e o planeta Va’ruun’kai, e outra mais militar e direta, focada numa facção de desertores e na sua tentativa de unir os sistemas através da força.

Para além disso, traz ainda 1.000 Créditos de Criação, úteis para conteúdos adicionais na Creation Store como skins, armas ou até mesmo missões, e o Pacote de Skin Constellation, com visuais para armas, fato espacial, capacete e boost pack. E claro, não pode faltar o artbook digital e a banda sonora oficial, para dar aquele toque de “edição de colecionador”. Não é só mais conteúdo, é uma versão pensada para quem quer o Starfield completo, com mais variedade narrativa e mais formas de expandir a experiência desde o início.

Opinião Final

No fim, Starfield, agora na versão PS5, é uma experiência polida da versão de 2023. Após a introdução dos Free Lanes nesta edição, a exploração melhorou e o que antes era um jogo baseado em fast-travel através do menu, agora usou essa premissa para alargar a jogabilidade e transformar um problema num pró a ser considerado na compra do jogo. Este é um título que impressiona mais pelo que permite fazer do que pelo que te faz sentir. Há momentos em que parece um verdadeiro épico espacial… mas em outros parece apenas uma sequência de tarefas entre menus.
Starfield pode não aproveitar todo o potencial do seu universo, mas quando as suas melhores peças se alinham, oferece uma excelente aventura espacial que é genuinamente viciante e imersiva, capaz de nos manter a orbitar durante dezenas e dezenas de horas.

Nota Final: 7.5/10

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