Não, não é um simulador de babysitting…
Inicialmente anunciado em 2020 para lançar em 2022, Pragmata foi adiado para 2023 e, mais tarde, ficou com data indefinida devido a vários problemas com a jogabilidade. Pesado para os fãs. Contudo, 4 anos depois da estreia prevista, a Capcom aproveita o embalo deste 2026, que está a ser um dos melhores para a produtora japonesa até hoje (Resident Evil Requiem, Monster Hunter Stories 3), para finalmente estrear o tão esperado título.
O novo jogo de ação-aventura com ficção científica, desenvolvido e publicado pela Capcom, foi finalmente disponibilizado ao público no dia 17 de abril de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PC e GeForce NOW.
Pragmata reintroduz uma mecânica de combate estratégica, concebida especificamente para encaixar no enredo da história, possui uma narrativa emocional e sincera e dispõe de efeitos visuais dignos do género que representa.
O enredo gira em torno de dois personagens que, ao serem opostos, complementam-se um ao outro (especialmente em combate). Hugh é um especialista em segurança de uma base lunar (The Cradle), que é separado da sua equipa de investigação após um terremoto. Depois do evento catastrófico, Hugh é inesperadamente socorrido pelo androide D-I-03367 e, naturalmente, o astronauta facilita a situação desde o início, atribuindo-lhe o nome de Diana. Recuso-me a olhar e pensar que Diana é mesmo um robô e, pelos vistos, Hugh também, pois assume um papel de “pai” para a proteger e encontrar um lugar seguro para ambos, sendo o seu foco regressar à Terra.
Polivalência combativa
Enquanto técnico, Hugh possui uma boa variedade de armamento pesado, desde uma Shockwave Blaster (arma de curto alcance) até uma rede de estase que imobiliza inimigos, permitindo que Diana faça a sua magia. As habilidades da androide facilitam o combate e fazem jus ao estilo sci-fi do jogo, com a “criança” a saltar para as costas do humano e utilizar os seus poderes de hacking para remover a armadura dos robôs. Estes são controlados pela inteligência artificial IDUS que domina a estação lunar. Diana consegue também abrir portas e caminhos, assim como indicar para onde proceder quando estivermos desorientados. A dinâmica produzida entre os dois não só proporciona uma experiência empática na relação “pai-filha”, como exigente na “solução de puzzles” no meio dos duelos.

De adagio a presto num instante
A Lua pode se tornar bastante solitária, e a sensação sonora e musical reflete esse sentimento. Embora Hugh e Diana tenham-se um ao outro, as sinfonias possuem um tom melancólico e sereno, consolidando o contexto de isolação numa base abandonada. Em momentos de pressão alta e lutas importantes, as melodias oscilam para um som que indica perigo, equilibrando os momentos calmos com os intensos.
No geral, a trilha sonora possui músicas com uma forte presença de sintetizadores, corroborando o estilo futurista e cibernético do jogo.
A dobragem é caracterizada por um tom mais sarcástico de Hugh combinado com uma curiosidade infantil de Diana, e as suas conversas são a prova disso. “Isto vai ser um passeio no parque.”, “Mas os dados indicam que o parque mais próximo está a 384 mil quilómetros de distância, na Terra.” É disto que falo… No entanto, os seus diálogos também se transportam para o lado filosófico, com a androide a fazer perguntas ao seu “pai adotivo” sobre a humanidade.
A “Cradle”, onde o jogo se desenrola, apresenta estruturas vastas, metálicas e, muitas vezes, vazias. O ambiente transmite frequentemente uma sensação artificial, com alguns erros intencionais inspirados na IA, estes na forma de objetos colocados de forma incoerente e surreal (flutuantes ou a fundirem-se com as paredes).
O design do jogo é, de certa forma, minimalista, tirando partido do ray tracing avançado e iluminação para criar um cenário de alto contraste e atmosfera sombria, que retrata decadência e abandono.
Mesmo na Lua há sempre algo mais para fazer
A Capcom costuma alternar entre jogos de mundo aberto e obras com um ritmo narrativo linear (ex. Monster Hunter e Resident Evil). Pragmata opta por um sistema clássico de capítulos, orientado por missões principais e objetivos claros, que nos leva a diferentes áreas do ambiente lunar. Embora o desencadear dos acontecimentos seja feito numa velocidade reduzida ao início, enquanto ainda estamos a conhecer as personagens e o espaço, é na segunda parte do jogo que é atingido o pico da experiência.
Como na maioria dos videojogos, caminhos alternativos para procurar colecionáveis ou testar as nossas habilidades estão presentes, funcionando como momentos de pausa na história central e de angariação de itens. Se achas que já dominas as armas de Hugh e o hacking da Diana, convido-te a experimentares as Red Zones, são fixes…
Hacking do mais nítido e fluido

Este título foi produzido através do RE Engine, motor desenvolvido pela Capcom, que utiliza ray tracing, path tracing e um sistema específico de renderização de cabelo baseado em fios, para os cabelos loiros de Diana ficarem o mais realistas possível. Estas características, especificamente o ray tracing e o path tracing, alteram profundamente a iluminação e os reflexos nos elementos do jogo. Joguei o jogo numa PS5 Standard no Modo Qualidade priorizando a beleza do jogo a 4K e 30 FPS. Apesar disso, na PS5 Pro existe o Modo HFR (High Frame Rate) que, ao utilizar o PSSR 2, impulsiona o desempenho e a fluidez da jogabilidade até 80-100 FPS, não sacrificando qualquer qualidade visual. Quem não tiver PS5 Pro, mas preferir performance, o Modo Desempenho foca-se em manter os 60 FPS, reduzindo um pouco os gráficos e efeitos luminosos.
Opinião Final

Concluindo, Pragmata não é tanto sobre sobreviver na Lua, mas antes como aprender a não estar sozinho nela. A Capcom podia ter entregue apenas mais um sci-fi shooter visualmente impressionante, mas escolheu algo mais arriscado: uma experiência que mistura estratégia, emoção e silêncio. Nem sempre é perfeito e o ritmo inicial pode afastar alguns, com uma jogabilidade que exige paciência e versatilidade. Mas quando tudo encaixa, encaixa mesmo. É um jogo que não grita para ser lembrado… fica contigo de forma mais subtil, e muito se deve à narrativa comovente e recheada de ternura. Com combates táticos, momentos de introspeção e uma relação inesperadamente humana entre um homem e uma máquina (custa-me), Pragmata prova que o verdadeiro peso da história não vem necessariamente da gravidade da Lua, mas sim das ligações que criamos nela.










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