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EA Sports UFC 6 – Cada lutador tem uma história (Análise)

A maior série de simuladores de combate regressa

Vitórias, derrotas, KOs e submissões. São esses momentos que aparecem nas capas das notícias e nos vídeos destacados, mas nunca contam a história completa, o caminho que quer o derrotado quer o vencedor percorreram até ali. Está nas horas infinitas de treino, nas lesões, nos sacrifícios e em todas as decisões que um lutador toma até entrar no octógono. É precisamente aí que EA Sports UFC 6 acerta em cheio.

Mais do que um simples simulador de combate, esta nova edição tenta mostrar por que é que cada lutador chegou onde chegou. Sente-se que o jogo não quer apenas que ganhes um cinturão, quer que percebas o caminho que foi preciso percorrer para o conquistar.

No entanto, há ideias novas que parecem ter vindo de outro jogo completamente diferente. Mas quando o combate começa e a jaula fecha, UFC 6 continua a ser uma das experiências mais intensas que fazem com que tu e o lutador estejam sincronizados para um só objetivo: ganhar.

Um cheat code grátis

EA Sports UFC 6 foi produzido pela EA Vancouver e publicado pela EA Sports no dia 19 de junho de 2026 para a PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
As bases do jogo (e consequentemente do desporto também) assentam em 3 pilares: Acertar (Striking), Defender (Defending) e Flow. A grande novidade é este terceiro ponto, o Flow State. Na teoria, faz sentido. Quanto melhor lutares, mais vais enchendo uma barra que pode ser ativada para transformar temporariamente o teu lutador numa máquina praticamente imparável. O problema é outro.

UFC sempre foi uma série onde tudo dependia da tua leitura do adversário. Saber quando atacar, quando defender, quando parar. O ritmo era ditado pelo jogador. Agora existe um botão quase mágico que desequilibra isso tudo. É estranho. É como se estivesses a jogar uma partida de FIFA e, de repente, chutas a bola do meio-campo e é golo. Funciona? Sim. É, por vezes, divertido? Também. Mas encaixa no ADN da série? Provavelmente não.

Pior ainda é no online. Muitas partidas acabam por parecer uma corrida para ver quem chega primeiro ao Flow State. Em vez de recompensares a inteligência e a paciência, muitas vezes basta teres a barra cheia primeiro para ganhares uma vantagem enorme. Como platinei e joguei várias horas de UFC 5, preferia preocupar-me em defender um takedown ou encontrar espaço para um uppercut do que olhar constantemente para mais um medidor no ecrã (já bastam os HP e stamina).
Apesar de tudo, a adição é compreensível e certamente muito inspirada nas redes sociais.

Visualmente impactante, tal e qual os combates

Se há coisa que EA Vancouver domina, é a sensação de impacto. Cada murro parece pesado. Cada pontapé faz estremecer o adversário. Cada cotovelada soa como se pudesse partir uma parede.
A última vez que joguei UFC 5 já foi há vários meses, por isso, foi como voltar a andar de bicicleta depois de algum tempo. Comecei a relembrar combinações, a gerir distâncias, e embora haja algumas melhorias nas animações, ainda existem momentos estranhos (aqueles braços que parecem borracha) e espaço para alguma inovação.

Visualmente continua impressionante, a tirar partido do hardware mais recente das consolas. Joguei numa PS5 Standard e nota-se que o suor voa, o sangue é trocado entre lutadores e os cortes pioram ao longo dos assaltos. É daqueles jogos onde quase consegues sentir o impacto só de olhar para o ecrã.

Hall of Legends é o novo trunfo da EA

Se tivesse de escolher apenas uma razão para comprar UFC 6, dizia o modo Hall of Legends sem pensar duas vezes. A EA Vancouver pegou em alguns dos maiores nomes da história do UFC e construiu pequenas experiências que misturam documentário, videojogo e recriação histórica. Não é apenas repetir combates lendários. Existem contexto, emoção e preparação. Os pequenos vídeos a mostrar um pouco das raízes dos lutadores é o que torna este jogo tão violento, em algo mais humano e pacato
Na recriação de alguns dos momentos mais marcantes de Max Holloway, Alex Pereira ou Zhang Weili, senti quase a mesma adrenalina de quando os vi em direto. É daqueles modos que acabas e voltas logo ao início para experimentar outra vez. Espero mesmo que nunca desapareça e que no próximo jogo introduzam muitos mais lutadores.

O Alex Hunter do UFC?

Durante anos, o modo carreira foi monótono e uma réplica da maioria dos outros jogos de desporto: criar personagem ➡ treinar ➡ combater ➡ repetir. The Legacy muda completamente isso. Agora existe uma história verdadeira por trás de uma personagem com rivalidades. Há momentos complicados, decisões fora do octógono e eu fiquei agarrado logo nos primeiros minutos, algo que não é difícil porque sou muito virado a modos de carreira.
Continua a existir o percurso tradicional para quem quer apenas lutar, mas esta nova abordagem dá muito mais personalidade e imersão ao modo. Foi facilmente onde passei mais horas (como disse, muito virado para isto).

Digam lá se não dá vontade de jogar a história toda?

Ambição a mais, conteúdo a mais

Nem tudo precisava de existir e o modo The Gym é o melhor exemplo disso. Após algumas conversas com outras pessoas, pensei que fosse tipo um Ultimate Team do FIFA. Não podia estar mais enganado.
Basicamente serves-te de dezenas de lutadores para “ficar bonito/a”. Treinas, sobes níveis, recebes calções, recebes fundos, recebes cintos, recebes mais cosméticos… Pronto, acho que deu para perceber que é mais um simulador de treino para quem se importa mais com customização do que com desviar e bater.

Só não é um “battle pass” porque já existe um…

E para sorte da EA, eu até sempre me importei com o que vestia quando pisava a jaula, por isso, até usufrui deste modo. Mas não posso dizer que não preferia estar dentro do octógono a partir narizes. É conteúdo que existe… porque hoje em dia parece obrigatório existir um modo destes.

Opinião Final

Apesar dos comentários em relação ao Flow State e ao modo The Gym, UFC 6 consegue fazer aquilo que realmente interessa. Promove o UFC e faz-te gostar ainda mais de MMA. O combate continua excelente, embora as animações pudessem ser reinventadas, o novo modo carreira dá mais personalidade ao jogo e Hall of Legends é provavelmente o melhor conteúdo que EA Vancouver criou desde que a série começou. Outros pequenos detalhes também sobressaem, como a adição do árbitro Marc Goddard, depois de UFC 5 ter apenas Herb Dean.

Nem todas as novidades acertam, mas as que acertam fazem-no com força suficiente para compensar o resto. EA Sports UFC 6 é o melhor jogo da série até agora. Não porque revolucionou a fórmula, mas porque finalmente percebeu que uma luta começa muito antes da buzina tocar (sim, UFC não tem o sino tradicional).

Nota Final: 8.5/10

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