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Foco Silvestre do 20º IndieLisboa lança a pergunta: o trabalho liberta?

De Louis Lumière a Harun Farocki, passando por Ben Russell, mas acenando também a Edgar Pêra e a Manoel de Oliveira. Por aqui se produz uma reflexão cruzada sobre diversos eixos de programação dedicadas ao movimento laboral, tendo como base outros tantos programas de curtas do 20º IndieLisboa. Mas em que todos parecem lançar a mesma pergunta: será que o trabalho liberta?

A questão levanta inevitavelmente um eco de memória, mas pode muito bem ser formulada ao longo dos diferentes programas do Foco Silvestre, do IndieLisboa, a navegar sob a bandeira do Trabalho e do Movimento Sindical. Daqui se esboça uma reflexão a pensar na proximidade da comemoração dos 50 anos da revolução de 25 de Abril, também ela, necessariamente, uma revolução laboral que culminou na celebração do 1º de Maio de 1974. O programa, bastante diverso no contexto fílmico, contou mesmo com o contributo de Carvalho da Silva, o histórico dirigente da CGTP Intersindical.

O Foco divide-se em diferentes programas de curtas. Desde logo, no programa Fábricas e os Trabalhadores em Movimento, recupera-se uma ontologia do trabalho, mas também do cinema. Desde logo patente na imagem icónica da abertura dos portões da fábrica Lumière, que resultaria naquele que e reconhecido como o primeiro filme da história do cinema. De resto, também com o significado particular de servir de referência aos vários filmes deste conjunto. É um gesto de cinema que se foca no espaço, mas sobretudo no movimento dos trabalhadores a abandoná-lo. Apesar desse eco ou reverberação, haverá também um momento final (e irónico) de regresso ao trabalho.

A precaridade é o conceito que se prende com a ideia do segmento Trabalho Digno, expressa, desde lodo, nas diversas formas exploração da evolução dos sistemas capitalistas, nomeadamente com os exércitos de ‘mal empregados’; já em Ferramentas de Trabalho sugerem-se diferentes sentidos para a palavra ‘ferramenta’, bem como a sua evolução e os paradoxos que nos trouxe a automatização e a inteligência artificial; por fim, em Profissão: Trabalho descobre-se uma secção que navega na história do cinema português, refletindo como a ideia do trabalho foi encarada pelo cinema, desde o mudo até ao século XXI.

O Foco comporta ainda um programa desenhado pelo projecto FILMar e a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, num contexto ligado ao mar, com uma reflexão sobre as condições de trabalho e revoltas laborais pré-revolucionárias.

 

PROGRAMAS DE CURTAS

AS FÁBRICAS E OS TRABALHADORES EM MOVIMENTO, UM ENSAIO

(28 SEX/FRI, 21:45, CULTURGEST)

 

  • WORKERS LEAVING THE FACTORY
    Harun Farocki, Alemanha • Germany, doc., 1995, 36’
  • WORKERS LEAVING THE FACTORY (AGAIN)
  • Katharina Gruzei, Áustria • Austria, exp., 2012, 11’
  • OBRERAS SALIENDO DE LA FÁBRICA
    José Luis Torres Leiva, Chile, fic., 2005, 21’
  • WORKERS LEAVING THE FACTORY (DUBAI)
    Ben Russell, EUA • USA, doc., 2008, 8’
  • WORKERS LEAVING THE GOOGLEPLEX
    Andrew Norman Wilson, EUA • USA, exp., 2011, 11’
  • LA REPRISE DU TRAVAIL AUX USINES WONDER
    Pierre Bonneau/Liane Estiez-Willemont/Jacques Willemont, França • France, doc., 1968, 10’

 

FERRAMENTAS DE TRABALHO

(01 SEG/MON, 17:45, CINEMA IDEAL)
  • KEEP SHIFTIN’
    Verena Wagner, Alemanha • Germany, doc., 2020, 21’
  • NON CONTRACTUEL
    Paul Heintz, França • France, doc., 2015, 16’
  • AGRILOGISTICS
    Gerard Ortin Castellvi, Reino Unido/Espanha • United Kingdom/Spain, doc/exp., 2022, 21’
  • VO
    Nicolas Gourault, França • France, doc., 2021, 19’

 

PROFISSÃO:TRABALHO

(04 QUI/THU, 19:30, CINEMATECA)
  • A VIA ÁUREA
    Autor desconhecido, Portugal, fic., 1930, 10’
  • O PÃO
    Manoel de Oliveira, Portugal, doc., 1963, 28’
  • O TRABALHO LIBERTA?
    Edgar Pêra, Portugal, doc., 1993, 25’
  • OS SONÂMBULOS
    Patrick Mendes, Portugal, fic., 2014, 22’
  • FADO LUSITANO
    Abi Feijó, Portugal, anim., 1995, 6’
  • O TRABALHO DIGNO
  • THE CHIMNEY SWIFT
    Frédéric Schuld, Alemanha • Germany, doc/anim., 2020, 5’
  • LES PROSTITUÉES DE LYON
    Carole Roussopoulos, França • France, doc., 1975, 46’
  • AS SACRIFICADAS
    Aurélie Oliveira Pernet, Portugal/Suíça • fic, 2022, 21′
  • THE SHIFT
    Laura Carreira, Reino Unido/Portugal • fic., 2020, 9’

FILMar

MADEIRA – PÉROLA DO ATLÂNTICO + A CANÇÃO DA TERRA (FILMAR)

01 SEG/MON, 21:30, CINEMA SÃO JORGE |
  • MADEIRA – PÉROLA DO ATLÂNTICO
    Heinrich Gartner/Mota da Costa, Portugal, doc., 1937, 15’
  • A CANÇÃO DA TERRA
    Jorge Brum do Canto, Portugal, fic., 1938, 98’

REVOLTAS, TRABALHO E MÃO-DE-OBRA

02 TER/TUE, 21:30, CINEMA FERNANDO LOPES

 

  • LEIXÕES
    F. Carneiro Mendes, Portugal, doc., 1933, 16’
  • PESCADORES DE SETÚBAL
    Autor Desconhecido, Portugal, doc., 1941, 6’
  • O DOCUMENTÁRIO DA FABRICAÇÃO DE FARINHA E ÓLEO DE PEIXE
    Autor Desconhecido, Portugal, doc., 1948, 10’
  • A ALMADRABA ATUNEIRA DECENT WORK
    António Campos, Portugal, doc., 1961, 26’
  • TRABALHO
    Autor Desconhecido, Portugal, doc., 1978, 20’

 

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