Sábado, Julho 20, 2024
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IndieLisboa: Viver Bem com a Competição Nacional

A Competição Nacional do IndieLisboa edição 20 vai bem, muito obrigado. Entre regressos e estreantes. A concurso meia dúzia de longas (que valem por muito mais do que isso).

Naturalmente, o filme duplo Mal Viver e Viver Mal, com uma série de personagens à procura de alma, será sempre olhado como incontornável. Não só pelo trabalho e a identidade que se reconhece ao cineasta João Canijo, mas obviamente, também, pelo prestígio alcançado em fevereiro passado no festival de Berlim, onde Mal Viver conquistou o Urso de Prata pelo Prémio do Júri. Já se sabe, é um filme ambientado num hotel gerido por uma família de mulheres. Como sempre, dominado pelo trabalho dos atores (sobretudo das atrizes!) que há muito tempo fazem parte da sua estrutura dramática.

Outro filme de Berlim é Cidade Rabat, de Susana Nobre, onde foi exibido na secção Fórum Expanded. É também um regresso ao Indie, onde já venceu o prémio Melhor Longa-Metragem Portuguesa, em 2021, com No Táxi do Jack, Desta vez, com um registo melancólico, paredes-meias com elementos pessoais, sobre uma personagem que reflete o trabalho e a vida.

Astrakan 70 (IndieLisboa)

Em Astrakan 79 Catarina Mourão estabelece uma ligação singular entre a memória e a ficção, recordando a aventura de um jovem adolescente que decide em 1979 descobrir com os próprios olhos o processo revolucionário em curso na União Soviética, impulsionado pelos pais, militantes do Partido Comunista. Ficará um ano e meio, acabando por se tornar clandestino e abandonar o romance, os estudos e os seus ideais.

Telmo Churro é uma pessoa do cinema. Depois de um sólido percurso em diversas funções técnicas, como assistente de realização, argumentista, mas também realizador (a curta Rei Inútil, de 2013), estreia-se no longo formato com Índia. É neste território de sonho que aborda um grupo de personagens à procura de desejos e quimeras. O protagonista, Tiago (Pedro Inês), o seu pai (José Manuel Mendes) embarcam com a brasileira Karen (Denise Fraga) numa jornada onírica em busca de um herói mítico perdido. Uma história com o fôlego do cinema em que Telmo Churro aplica toda a sua maturidade fílmica.

Também ainda o documentário Rosinha e Outros Bichos do Mato, de Marta Pessoa, abordando os contornos do dito “Portugal não é um país racista”, expondo a realidade a partir de uma memória de propaganda fascista. Ainda A Primeira Idade, de Alexander David, presente na selecção oficial para o Leopardo de Ouro, no festival de Roterdão, em Janeiro passado.

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