Sábado, Março 2, 2024
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Karlovy Vary: quem é Yasuzo Masumura?

A pergunta só fará sentido a quem tiver descurado o cinema nipónico do pós-guerra, já que Yasuzo Masumura (1924-1986) será sempre uma figura de proa desse período. Ainda assim, é também um nome menos conhecido de alguns dos seus conterrâneos cuja obra chegou bem mais cedo ao Ocidente. Nem será necessário referir nomes. Até porque o que importa mesmo é concentrarmo-nos no tributo que lhe é prestado na 57ª edição do Karlovy Vary International Film Festival, certame que decorre entre o dia 30 de Junho e 8 de Julho, como sempre, na estância balnear mais famosa da Boémia, em plena Chéquia.

Trata-se de uma retrospectiva que antecipa o seu centenário, no ano que vem, permitindo introduzir o conhecimento do seu cinema a novos públicos e até consagrá-lo como um dos grandes mestres japoneses. Felizmente, o seu trabalho e a new wave que gerou é objecto de redescoberta recente, em particular do estudo que lhe dedicou o crítico americano Jonathan Rosenbaum, na sua obra Movie Mutations (2003), considerando um cinema eclético e politicamente rebelde feito de experimentação e os seus filmes como “uma das grandes descobertas fílmicas do séc. XXI”. A ele regressaremos durante a mostra de filmes que nos espera em KVIFF, acompanhada da curadoria de Joseph Fahim.

“Masumura provou que o cinema mainstream cinema pode ser tão ousado, politicamente empenhado e perspicaz como o de arthouse,” referiu o programador. Trata-se de um cinema que “constantemente supera barreiras entre a arte e o comércio”, cabendo-lhe até a comparação com o cinema de mestres como Samuel Fuller ou Nicolas Ray.

A retrospectiva irá permitir descobrir o seu início de carreira com Kisses (1957), além do melodrama The Blue Sky Maiden(1957), a entrada no thriller de espionagem The Black Test Car (1962) ou até o drama lésbico All Mixed Up (1964). Empenhado por um feroz pacifismo que acompanha toda a sua carreira, bem como uma demanda ideológica evidente, na sátira Hoodlum Solider (1965), ou no controverso The Red Angel (1966), talvez o filme mais conhecido no ocidente, sobretudo após a conservação e restauro em 4K que será vista no festival.

Para o ano, no seu centenário, vai surgir de novo a pergunta: quem é Yasuzo Masumura? A resposta estará aqui.

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