Unir os EUA foi apenas o começo
O génio incompreendido de Hideo Kojima está de volta com Death Stranding 2: On the Beach. Mantendo os mesmos ideais do primeiro jogo, destacado pela abundante (e atrativa) presença de cinema e uma jogabilidade muito própria, este segundo título da saga promete muito mais do que monstros invisíveis, caminhadas pesadas (mesmo) e bebés encapsulados. Mas será que consegue inovar a fórmula ou limita-se a repeti-la?
Desenvolvido pela Kojima Productions e publicado pela Sony Interactive Entertainment, 5 anos depois do primeiro lançamento, o casting regressa para mais uma aventura do seu criador. É essencial referir a capacidade que o produtor japonês tem de apostar cegamente em novos conceitos e de saber como lidar com as críticas, pois Death Stranding (2019) foi alvo de bastantes. Uma nova história detalhadamente confusa, cenas cinemáticas extensas e o gameplay incomum foram as principais razões do afastamento de alguns jogadores e das suas dúvidas em 2019. Mas quem está familiarizado com o trabalho de Kojima na Konami sabe que, desde Metal Gear Solid, o cinema está presente nas suas criações. E quem experienciou Death Stranding do início ao fim, compreende que o jogo não é apenas uma “narrativa dos CTT no fim do mundo”. Não, é muito mais do que isso. Toda a ideia de reconexão nesta franquia é algo que se pode sempre transpor para o mundo real e, na falta de comunicação dentro dele. E é desta maneira que Hideo Kojima apresenta uma sequela entusiasmante que introduz muitas novidades e adapta-se às opiniões recebidas na primeira edição.
Onde está Sam Bridges?
Os eventos do jogo desenrolam-se 11 meses depois da reunificação dos Estados Unidos (agora Cidades Unidas da América) e após Sam ter-se afastado tanto da UCA como da Bridges. Decidido a cuidar do seu novo bebé, Lou, o protagonista isola-se e é esse antecedente que nos leva ao início desta nova jornada. Os primeiros minutos de jogo servem como “Bem-vindo de volta”, obrigando-nos a relembrar do cuidado a ter a cada passo, especialmente por carregarmos Lou ao peito (já não bastavam as caixas…). Este momento inicial também nos recorda as deslumbrantes paisagens que a saga nos oferece.
No entanto, não é na América que Sam vai operar, mas sim numa Austrália devastada e com uma natureza ameaçadora e imprevisível. Entre tempestades de areia, terremotos, incêndios e outros eventos bizarros, o leque de Death Stranding 2 continua a aumentar, e isto é só o começo. Os abomináveis EPs continuam a multiplicar-se e são introduzidos novos inimigos.
Ampliação da jogabilidade
Se o problema nuclear eram as longas entregas, nada temam, elas continuam a ser o objetivo principal, porém, esta segunda edição possui mecânicas que promovem uma experiência mais acelerada e cheia de ação. Dessa forma, estes aperfeiçoamentos divergem a atenção da caminhada para um novo terreno de jogo, o que dá uma certa frescura ao enredo. É introduzida uma nova coleção de armas, ferramentas, veículos e melhorias que nos facilitam as viagens, quer na componente da deslocação quer na forma como enfrentamos ameaças. Falando em ameaça e referindo novamente o dinamismo atmosférico do jogo, Kojima eleva essa realidade a outro patamar, onde a Timefall não tem só as suas propriedades envelhecedoras. Sam agora escorrega, influenciando assim cada uma das suas rotas e tornando um caminho aparentemente pacato, num festival temporal imprevisível. Estas são algumas das melhorias feitas em relação ao primeiro título. Dito isto, Kojima 2 – Haters 0.
Adições à equipa
Death Stranding trouxe Hollywood na sua estreia e Death Stranding 2: On the Beach volta a apostar num elenco fortíssimo, onde o equilíbrio entre regressos e novas personagens ajuda a manter a identidade da história. No centro continua Norman Reedus, cuja interpretação de Sam revela agora um lado mais marcado pelas vivências recentes. Ao longo da sua jornada, sente que já não é apenas um mensageiro, mas alguém com ligações mais profundas ao mundo e aos que o rodeiam. Entre os regressos, personagens como Guillermo del Toro (Deadman) e Nicolas Winding Refn (Heartman) continuam com uma presença vital no universo do jogo. Mantêm aquele tom filosófico que ajuda a definir a identidade única da narrativa, funcionando muitas vezes como pontos de apoio para Sam — seja a nível emocional ou conceptual. Portanto, volta a sentir-se o peso das personagens que guiaram e ajudaram o protagonista ao longo da sua missão. Essa rede de ligações continua a ser um dos pilares da experiência de Death Stranding, sublinhando a importância das ligações humanas.
Do lado das novidades, Elle Fanning, Shioli Kutsuna, Luca Marinelli e Jonathan Roumie surgem para trazer um “novo sangue” à narrativa. Kojima descreveu Fanning como uma personagem essencial e destacou que teria de reescrever o argumento do zero caso a atriz rejeitasse o papel. No entanto, uma das adições mais marcantes é mesmo George Miller. A presença do realizador de Mad Max reforça ainda mais o lado cinematográfico do jogo, encaixando perfeitamente na visão de Hideo Kojima.
Essencialmente, Death Stranding 2 volta a provar que o seu elenco não é apenas um acessório à história: é parte da sua identidade.

Qualidade visual e auditiva
O jogo, talvez herdado do seu background cinematográfico, possui imagens e gráficos de tirar o chapéu. As paisagens brilhantes do México e Austrália, as expressões faciais e qualidade dos modelos das personagens são das melhores da geração e todo o ambiente é de uma imersão verdadeiramente viciante. Para além do começo do jogo ter presente mais uma ofuscante paisagem, é impossível ficar indiferente à banda sonora, pois a música neste jogo não interrompe a experiência, eleva-a. Existe sempre uma escolha certeira no par som-momento, especialmente em ocasiões intensas ou emocionais, mas até mesmo nos nossos arredores, o áudio é envolvente e transporta-nos. A dobragem é um tópico mais dividido, com alguns diálogos (fora de cena) a indicarem alguma monotonia e pronúncia invulgar, o que provocou comentários a questionar a entrega dos atores ao projeto. No entanto, num vídeo para o público, um dos atores-chave revela todo o esforço e dedicação exercidos nas cenas para proporcionar a melhor vivência do jogo.
Desempenho ou Qualidade?
O jogo possui 2 modos: Desempenho e Qualidade. Enquanto que o primeiro oferece jogabilidade até 120 FPS, priorizando a fluidez visual e sacrificando alguma nitidez, no segundo modo, embora sejam os duvidosos 30 FPS, não se nota diferença quase nenhuma e há um impulso significativo no cenário. Isto jogado numa PlayStation 5 Standard, porque numa PS5 Pro e com uma TV potente, a história será certamente diferente. Com uma televisão/monitor de 120Hz e a opção ativa no menu da consola, o jogo irá sempre assumir o modo de desempenho com os 120 FPS, logo, para jogar a 60 FPS, essa opção terá de ser desativada. Esta característica pode ser confusa para os jogadores e, por isso, salientamos como sendo algo discutível. Já para PC, com suporte disponível para as tecnologias de escalamento (DLSS 4, AMD FSR 4, Intel XeSS, PICO), o título exige um hardware mais recente e robusto para uma melhor contemplação de tudo o que há para ver. Contudo, os requisitos mínimos, para as definições mais baixas, são: Processador: Intel Core i3-10100 / AMD Ryzen 3 3100 ; Memória RAM: 16 GB ; Placa Gráfica: NVIDIA GeForce GTX 1660 / AMD Radeon RX 5500 XT 8GB ; Armazenamento: 150 GB.
Opinião Final

No final das contas, Death Stranding 2: On the Beach não tenta ser um jogo para todos. E ainda bem. Hideo Kojima mantém-se fiel ao seu objetivo e entrega novamente uma obra que tanto pode fascinar como afastar, mas que dificilmente deixa alguém indiferente. Longe de se limitar a repetir a fórmula, a sequela introduz melhorias claras na jogabilidade, tornando a experiência mais dinâmica e acessível, sem perder aquilo que tornou o primeiro título um sucesso. A narrativa é vasta e, por vezes, deliberadamente confusa, mas é precisamente aí que reside parte do seu charme: um jogo que não explica tudo, mas que nos convida a sentir e interpretar.
Com um elenco de peso liderado por Norman Reedus e reforçado por nomes como Elle Fanning e George Miller, o lado cinematográfico atinge novos níveis, elevando a obra a algo que ultrapassa o formato tradicional de um videojogo. Tanto os visuais como o som contribuem para uma imersão constante, tornando cada momento mais impactante e, ainda assim, nem tudo é perfeito. Algumas decisões de design e certos aspetos técnicos podem não agradar a todos, e há momentos em que o ritmo volta a cair nos padrões anteriores.
Mas, no fim, Death Stranding 2 não é sobre perfeição — mas sim sobre visão.










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