Quarta-feira, Abril 17, 2024
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Elaheh Nobakht no MDOC: “Estes novos cineastas vão conseguir trazer coisas positivas”

A produtora Elaheh Nobakht aposta há muito na afirmação dos novos valores no cinema do Irão. Esteve recentemente no festival MDOC, em Melgaço, com dois filmes: Dream’s Gate, de Negin Ahmadi, e ainda Silent Housede Farnaz Jurabchian. Apesar de ser muito jovem, esta produtora de 36 anos, tem já atrás de si um trabalho de 16 anos.

Elaheh confia na geração que tenta promover. “Eles são muito talentosos e têm uma grande preocupação sobre o que se passa no mundo”, como nos confessa. Confirma que tem “gosto de descobrir novos nomes que desejam partilhar os seus sonhos de uma forma artística. Tento selecionar projectos com uma profundidade sobre aquilo que se passa em seu redor. É por isso que trabalho mais com uma geração mais nova.

‘Dreams Gate’: a guerrilheira em pausa

Como sucedeu em Dream’s Gate, de Negin Ahmadi, um filme com cinco anos de gestação (tal como Silent House), sobre uma milícia curda composta apenas por mulheres. Relata a produtora que recebeu da realizadora um vídeo de 2 minutos feito com um iPhone. “Este excerto foi, para mim, uma descoberta. Mas também para a minha vida pessoal.” Segundo Elaheh, algumas imagens estão no filme, que nos mostra tando esse grupo de jovens s cantar e a dançar, mas igualmente a pegar em metralhadoras e assumir um combate feroz na frente de batalha.

“Fiquei comovida com a conjugação de esses diferentes aspetos da vida”, diz-nos. “É que, ao mesmo tempo querem estar bonitas, e serem mulheres, mas não descurando a sua missão.” Ou seja, a sua condição feminina. “Interessa-me continuar a trabalhar nesta área, no Médio Oriente, e focar-me nas questões femininas, os seus desafios e de que maneira procuram fazer a diferença no seu mundo.” Mesmo que Elaheh considere que as mulheres vivem uma situação de enorme solidão.

Silent House (Farnaz Jurabchian, Mohammadreza Jurabchian)

Apesar de tudo há otimismo: “Espero que algumas possam ver aqui algum sentido de esperança. Acho que estes filmes podem afectar mulheres e pessoas diferentes em outros pontos de mundo.” Por isso, sintetiza: “Acho que estes novos cineastas vão conseguir trazer coisas positivas. Desde logo no que diz respeito a direitos humanos, a igualdade e às escolhas pessoais na vida de cada um.”

 

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