Home / Gaming / 007 First Light – Após 19 horas e 1 troféu platina (Análise)

007 First Light – Após 19 horas e 1 troféu platina (Análise)

A estrada para a glória do agente 007

Durante décadas, James Bond conquistou as salas de cinema, mas nunca teve a mesma sorte no mundo dos videojogos. Em 2026, a IO Interactive lança 007 First Light com a missão de reinventar o agente secreto mais famoso do mundo. Em vez de adaptar um filme ou revisitar uma aventura já conhecida, o estúdio opta por contar uma história completamente original, mostrando como é que o jovem Bond se juntou ao MI6 e conquistou o estatuto de agente 00.

007 First Light foi lançado a 27 de maio de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. O jogo introduz personagens conhecidas no universo cinematográfico de 007, como M, Q e Moneypenny, mas, sendo uma entrada original na cronografia, novas caras aparecem, como o mentor John Greenway, a misteriosa Isola Vale e outros recrutas como Cressida e Monroe. O ritmo é bastante sólido, com o jogo a ser dividido em 17 capítulos com interlúdios narrativos entre grandes missões, algo que faz sentido do ponto de vista cinematográfico, servindo de reorganização para o MI6 e Bond. Nenhuma das missões parece desnecessária, pois todas as informações adquiridas acumulam-se e culminam no clímax do jogo. A campanha principal demora cerca de 8 a 9 horas e raramente o jogador sente-se aborrecido, especialmente quando há uma piada de James a cada 10 segundos; nesse aspeto acertaram em cheio.

Para quem já jogou Hitman, o maior sucesso da IO Interactive, 007 First Light é obviamente familiar, pois vários aspetos foram retirados do jogo protagonizado pelo Agente 47. Mas para quem já jogou Uncharted, vários déjà vus também surgem em diversas partes do jogo. Quem jogou os dois… pronto, é basicamente como se fosse um filho: a furtividade de Hitman misturada com o conceito de plataforma do Uncharted. Estas são, acredito eu, as primeiras impressões para qualquer um que pega no jogo e experimenta os primeiros 30 minutos. Até no combate parece que ambos Hitman e Uncharted “andam de mãos dadas”. Bond tem um objetivo e tenta alcançá-lo silenciosamente, deixando qualquer guarda distraído a dormir. No entanto, se for apanhado, o combate agressivo relembra aqueles duelos com Nathan Drake em navios e templos antigos.

Completei a campanha em cerca de 9 horas na dificuldade intermédia que, honestamente, por vezes era mais difícil do que parecia, principalmente pelos inimigos mais bem armados, porque os alvos sem capacete beijavam o chão com um tiro na cabeça. Ainda assim, os gadgets criados por Q ajudavam bastante, tanto no combate como na infiltração. Se tiveres uma zona bloqueada por um guarda, o teu telefone lança um dardo que lhes dá a volta à barriga e tens a passagem livre. Esta é uma das ferramentas criativas e úteis que poderás usar para teu benefício.

Algo em que a IOI se sobressai sempre é nos pequenos detalhes. Vários diálogos têm várias opções de pergunta e resposta para saber mais dos personagens, e enquanto exploramos, ouvimos conversas e comentários alheios que, por vezes, são bastante engraçados. Os colecionáveis também são uma boa forma de ficar a conhecer as zonas das missões na sua totalidade. Com um total de 19 horas no jogo e todos os troféus obtidos, posso dizer que não é nada difícil completar o jogo a 100%. É até possível ganhar uma boa parte dos troféus (e economizar tempo) nas primeiras 10 horas de jogo, optando por ir apanhando os colecionáveis ao longo dos capítulos (algo que não fiz…). Sem ser os da história e extras, os restantes troféus são obtidos no outro modo de 007 First Light: o TacSim.

Este simulador de missões é uma forma de treinar o nosso James Bond, ao mesmo tempo que vamos adquirindo créditos para melhorar o armamento e visual nos treinos. É ótimo para praticar a mira e descobrir várias maneiras de atordoar ou imobilizar inimigos, seja a alvejar uma perna e terminar com os punhos, ou então disparar nas mãos para ficarem sem arma. Se a vossa mira não for a melhor, também não há problema porque ao ficar sem balas, podes atirar a tua semi-automática à cabeça dos inimigos (afinal armas sem munição têm utilidade).
Ao contrário de Hitman, onde serviam apenas como cutscenes de saída, em 007 First Light é possível conduzir veículos (apenas nas cenas indicadas, porque, no fim das contas, não é um jogo de mundo aberto). Apesar disso, a condução é bastante agradável e podes conduzir desde clássicos a autênticos foguetes (não literalmente).

Numa PS5 Standard, o jogo possui visuais impressionantes e detalhados enquanto apresenta zero problemas de renderização ou desempenho. Atuações como as de Patrick Gibson (Agente 007), Lennie James (John Greenway) e Noémie Nakai (Isola Vale) dão muita personalidade e emoção ao jogo, desde a misteriosidade de Isola à oposição total de Greenway na adição de Bond ao programa 00. Em termos de erros, apenas houve um problema que acontece com vários jogadores na PlayStation que tentam alcançar o troféu de platina: ao apanhar os colecionáveis através do Selecionador de Capítulos, muitas vezes o sistema não guarda e o troféu não aparece. Qual é o problema? Muitos são forçados a repetir o processo todo outra vez. Por isso, lembrem-se sempre de esperar que o ícone de carregamento fique OK.

Já foi revelado pela própria produtora que o jogo terá uma sequela, e ainda bem, pois acredito que pode tornar-se numa série bem-sucedida. Já que, possivelmente, se inspirou em Uncharted para certos aspetos do jogo, pode seguir o mesmo registo de lançamentos e fazer 4/5 jogos, cobrindo toda a vida de James Bond como agente secreto.

Opinião Final

No fim dos créditos, fica a sensação de que esta não foi apenas uma história sobre como James Bond conquistou o número 007. Foi também a história de uma série de videojogos que finalmente encontrou a sua identidade. Em vez de viver da nostalgia ou de tentar replicar o sucesso de Hollywood, 007 First Light assume sem medo as suas influências e transforma-as em algo com identidade e que merece respeito. Durante anos, Bond parecia um agente perdido entre gerações de consolas e adaptações esquecidas, mas hoje volta a vestir o fato, acerta o Q-Watch e entra novamente em ação, não para recuperar o passado, mas para construir um futuro. Se este for apenas o primeiro capítulo da visão da IO Interactive para o agente secreto mais famoso do mundo, então talvez a verdadeira origem contada neste jogo não seja apenas a de James Bond, mas também a de uma nova era para o 007 nos videojogos.

Nota Final: 8.9/10

Marcado: